Capítulo 0

Trouxe a parada?

Segunda-feira, 25 de maio de 2015

7h

Pulei literalmente da cama, ainda sentindo o cansaço de tudo o que rolou no domingo com os irmãos Adriano e Gabriel. Dei a maior canseira nos dois, mas também terminei destruída.

7h50

Cheguei na escola bem em cima da hora. Entrei na sala e a turma já estava toda lá, os garotos no fundo fazendo aquela bagunça de sempre, conversando e rindo alto. Sentei ao lado da Júlia, na primeira fileira, e logo senti o perfume dela — doce, gostoso, o mesmo que ela sempre usava.

— Bom dia, amiga. Tudo bem?

Sorri e nossos olhares se cruzaram. Júlia devolveu o sorriso, os olhos azuis-esverdeados brilhando, e mordeu o canto do lábio de baixo. Ela raramente sorria daquele jeito, e aquele sorriso me desmontou inteira de um jeito que eu não esperava.

O professor entrou e foi impossível me concentrar. Mordi a caneta, lembrando do gosto dos lábios da Jú, a língua dela na minha, o jeito como ela me beijou. Aquele beijo que começou lento e suave, e logo me incendiou de um jeito bem louco. Lembrei do corpo dela colado no meu, do cheiro dela na minha pele e das nossas bucetinhas esfregando uma na outra. Fiquei completamente molhada.

Nossa, nunca imaginei que a Júlia ia mexer comigo daquele jeito. Agora eu já tinha transado com duas garotas e tinha sido incrível com as duas, cada uma do seu jeito. Essa coisa de me sentir atraída pelas duas ainda me confundia, mas achava que era só tesão, curiosidade, ou talvez excesso de fogo. Eu nem tinha noção de que pudesse ser bissexual. Na real, eu nunca me defini — nunca gostei de rótulos.

No intervalo ela me passou um papelzinho dobrado, escrito com caneta vermelha:

“Trouxe a parada?”

Nem precisei perguntar o quê. Eram os brinquedinhos que eu tinha prometido levar. Sorri e escrevi no verso:

“Simmm, na mochila” e desenhei um coraçãozinho de caneta rosa.

Ela leu, sorriu e mordeu os lábios, guardando o papel na palma e fechando a mão.

12h30

O sinal tocou e a escola virou aquele corre-corre. Saímos juntas e fomos direto pra casa dela.

Eu mal entrei no quarto e já fui puxada pra um beijo que me deixou sem fôlego. Estranhamente, hoje ela estava com um fogo muito maior. Dava pra sentir no jeito que ela tocava, apertando minha bunda com força e me puxando pra ela, num beijo intenso, quente e molhado.

Ficamos naquele beijo até perder completamente o ar, e o beijo só parou quando a boca dela se desgrudou da minha e ela puxou o fôlego contra meu pescoço, o peito subindo e descendo rápido.

— Me mostra os brinquedos — pediu quase sem ar, a voz baixa, rouca, os olhos azuis brilhando.

Peguei a mochila e fui direto pra cama. A Júlia era reservada, muito contida no jeito de demonstrar o que sentia, mas mesmo assim eu conseguia sentir a ansiedade e o tesão dela misturados com um pouco de medo, afinal aquilo tudo era muito novo pra ela.

Abri a mochila e fui tirando um por um, passando pra ela, que examinava tudo com atenção. O consolo foi o primeiro. Ela pegou com as duas mãos e riu na hora, surpresa com o quanto era macio e realista. Sentiu o peso, passou o polegar pela superfície, apertou pra ver como cedia. Depois virou e ficou olhando a ventosa na base, curiosa, até encostar no espelho da penteadeira e o negócio grudar sozinho. Deu um pulinho e riu de novo, sem tirar os olhos dali. Quando soltou, levantou o consolo na frente do corpo e, sem nem perceber, comparou com o próprio antebraço.

— Caralho, Rafa... Isso é enorme.

— Nem tanto — falei rindo. — O tamanho é bem de boa, mas eu também levei um susto na primeira vez que vi.

Ela ainda ficou um tempo com o consolo na mão antes de pegar o vibrador rosa. Os dois tinham o mesmo tamanho. Esse ela achou o botão quase na hora. Quando aquilo começou a zunir na palma, ela arregalou os olhos e olhou pra mim rindo, as bochechas já coradas de vergonha. Então ela largou o brinquedo de lado, afobada, e veio pra cima de mim arrancando minhas roupas, me deixando só de blusa e calcinha numa velocidade que não combinava com ela.

A boca veio na minha com força, os dentes esbarrando nos meus, a língua entrando sem pedir licença enquanto as mãos puxavam a minha blusa pra cima com pressa. Ela nem esperou eu tirar direito. Desceu a boca pelo meu queixo, pelo pescoço, mordendo de leve, e quando chegou no meu peito foi com fome mesmo, chupando meu mamilo com força, a língua quente girando em volta, os dedos apertando o outro seio no mesmo ritmo. Eu arqueei, o corpo respondendo sozinho. Dava pra sentir a respiração dela quente e curta na minha pele, o peso dela me prensando no colchão e o calor subindo entre a gente.

Enquanto isso, a mão dela já estava descendo, passando pela minha barriga, enganchando na lateral da minha calcinha e puxando pra baixo num movimento só, sem delicadeza nenhuma. O tecido enroscou na minha coxa e ela puxou de novo, mais forte, impaciente, até se livrar de vez. A pele dela estava quente demais contra a minha. Era uma Júlia diferente da que eu conhecia, e eu só conseguia pensar que era bom pra caralho ver ela daquele jeito: solta, sem nenhum freio.

Eu nunca tinha visto ninguém tão ansiosa pra usar um brinquedo. Ela pegou o vibrador rosa e apontou pra mim, e a pergunta veio mais por educação:

— Quer usar esse?

Porque ela já tinha decidido. Ligou o troço antes mesmo de eu responder e veio pra cima de mim, me mandando deitar.

— Deitaaaa, Rafa! Abre as pernas, abre!

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