Carol sempre foi o meu porto seguro, minha cúmplice, minha confidente.
A gente conversava sobre tudo, sobre qualquer coisa mesmo. O meu primeiro beijo, a minha primeira transa, e até as primeiras loucuras, tudo ela sabia e por sua vez, ela me contava as coisas mais picantes sem filtro nenhum. Eu já sabia que ela não valia nada também, e curtia um sexozinho mais casual. Mesmo namorando, às vezes rolava uma escapadinha com outro cara e ela chegava toda animada pra me contar tudo nos mínimos detalhes. E eu, claro, que adorava ouvir.
Naquela época eu ainda não tinha vivido nada daquilo, então muita coisa eu nem entendia direito. Mas ela contava de um jeito tão divertido que eu ficava ali, de olhos arregalados, morrendo de rir.
Desde pequenas fomos criadas como irmãs. Morávamos na mesma rua, estudávamos na mesma escola e nos víamos todo santo dia. Era super normal dormir uma na casa da outra. A gente se enfiava na mesma cama, dividia o edredom, os segredos, risadas e até aquelas crises existenciais de adolescente.
Carol era um ano e dois meses mais velha. E dava pra ver, o corpo dela era bem mais desenvolvido que o meu. Ela já tinha virado mulher faz tempo. Pernas grossas, quadril largo, seios médios, redondos e firme e uma barriga chapada de dar inveja. Uma loiraça, de cabelo liso e comprido, linda pra um caralho.
Ela namorava o Murilo — um cara gato de 23 anos, nove anos mais velho que ela. E Carol vivia contando que o cara era completamente viciado em sexo, que queria transar o tempo todo, literalmente. Não importava o lugar, a hora ou o clima: se ele encostasse nela, já era. O bicho ia pegar ali mesmo.
Ela curtia, claro! Dizia que adorava transar com ele. Mas também queria outras coisas, sabe? Coisas de namorado mesmo: tipo assistir um filminho deitada de conchinha, bem agarradinha, trocando cafuné. Só que o Murilo parecia ter uma coisa só na cabeça: sexo.
E o mais louco de tudo? Mesmo com esse furacão sexual que era o namorado, a Carol ainda ficava com o Adriano às escondidas — o cara era o melhor amigo do irmão dela! Ou seja: namorava um, pegava o outro. E eu ali, só pensando: “pera aí… quem é a viciada nessa história mesmo?”
Enfim, posso dizer que eu tive um excelente exemplo a seguir.
Sábado, 14 de março de 2015
Olá, diário.
Tô aqui em Búzios curtindo o feriado prolongado. Como eu amo esse lugar! Dessa vez, meus pais vieram, e até meus tios — os pais do Diego e da Carol.
O Diego apareceu, claro, mas trouxe a namorada, aquele entojo! Assim como meu irmão, que chegou com a dele. A Carol veio com o Murilo, mas dessa vez ele ficou numa pousada. E quer saber? Foi ótimo pra mim. Porque à noite ela ficou só comigo. Passamos as madrugadas grudadas na mesma cama, trocando confidências e rindo de qualquer besteira.
22h20
Carol tinha acabado de voltar da rua com o Murilo e foi direto pro banho. Enquanto isso, eu fiquei jogada na cama, ar-condicionado gelando, e cobertor até o pescoço. Fui zapeando os canais de assinatura, naquela esperança de achar algo que preenchesse o vazio existencial daquela madrugada.
Foi aí que parei no Telecine: "Diário de uma Paixão".
Puta que pariu, eu era completamente viciada nesse filme. Sabia todas as falas de cor. Mas tinha uma cena que sempre acabava comigo: a da chuva.
Noah leva a Allie pra remar no lago, aquela cena linda de filme romântico, até que começa a maior tempestade. Os dois ficam encharcados, e aí vem aquele diálogo que me destruía, me fazia chorar horrores:
— Por que você não me escreveu? Eu esperei por você sete anos! — diz Allie, molhada de chuva.
— Eu te escrevi 365 cartas. Todos os dias, durante um ano — responde Noah, com aquela voz que me dava um nó na garganta.
E eles se beijam na chuva, desesperados, cheios de saudade.
E eu ali, deitada, toda arrepiada e engolindo o choro. Porque na minha cabeça o Diego era o meu Noah. Impossível, proibido… mas meu.
Quando o casal entrou na casa se agarrando feito dois desesperados, meu coração já estava disparado. Eu mal piscava, suspirando baixinho, imaginando que era comigo. Foi exatamente nessa hora que a Carol me cutucou com o cotovelo e soltou, rindo:
— Se fosse o Murilo, já tinha arrancado a calcinha dela antes mesmo de abrir a porta. Subir escada? Nem fudendo! Ia meter nela ali mesmo, no chão da sala.
Eu gargalhei e corei ao mesmo tempo. A Carol falava do Murilo, mas tudo o que eu conseguia pensar era no irmão dela.