Eu era uma adolescente ridiculamente romântica. Daquelas que desenhavam coraçõezinhos com caneta rosa glitter no canto do caderno de matemática e vivia sonhando com nomes pros futuros filhos: Anne, Liz, Matteo e Gael. Tudo isso enquanto ainda era BV total — nunca tinha beijado ninguém.
Mas meu corpo não era tão inocente quanto minha cabeça.
Eu lembro de momentos quando sozinha no quarto, eu fechava os olhos e simulava o primeiro beijo com as costas da mão como uma idiota, sentindo o calor subir no ventre e a calcinha molhando devagar só de imaginar. Eu curtia me olhar no espelho por um tempão, eu acariciava os meus seios devagar, sentindo os mamilos endurecerem e aquele arrepio gostoso descer até entre as coxas. Ficava molhada só de me tocar.
A masturbação já era meu ritual secreto, fazia todos os dias. Às vezes mais de uma vez, mesmo sem entender direito por que meu corpo pedia tanto aquilo. Eu só sabia que, quando eu cedia, o mundo lá fora desaparecia por alguns minutos.
Eu amava me tocar antes de dormir ou durante o banho. A primeira vez que direcionei o jato do chuveirinho bem no clitóris, levei um susto tão grande que quase caí. Foi tipo um choque elétrico subindo pela espinha. Uma mistura louca de "meu Deus, o que é isso?" com "pelo amor de Deus, não para!". Fiquei lá, parada, só sentindo a água cair, coração acelerado e um calor estranho, mas bom, tomando conta de mim.
Mas eu também me esfregava na quina de móveis. Doido isso, né?
Lembro bem de uma vez que minha avó me pegou esfregando na quina da mesa da sala. Eu devia ter uns 10 anos. Ela parou na porta, ficou me olhando por um segundo e soltou:
— Rafaella, o que você tá fazendo aí, menina?
Eu congelei, morri de vergonha e saí correndo pro quarto. Depois ela veio conversar comigo, sentou na beira da cama e só disse pra eu não fazer aquilo “onde todo mundo podia ver”. Não explicou nada e nem disse se era normal ou errado.
Eu continuei fazendo, claro. Só passei a ser muito mais cuidadosa.
Passei a fazer na cama. Colocava o travesseiro entre as pernas e me esfregava devagar, sentindo aquela fricção gostosa bem no clitóris. E o mais louco é que bastava isso: um travesseiro, meu corpo e minha imaginação… e eu já tava em outra dimensão, longe dali, flutuando num prazer que era só meu. Me esfregando devagar, sentindo os arrepios subirem como choques deliciosos.
Depois veio o ursinho de pelúcia. Era macio e tinha o tamanho perfeito. Quando eu sentava em cima dele e começava aquele movimento de vai e vem, meus quadris tomavam vida própria. Eu adorava aquilo. Ficava me esfregando até gozar.
Pode rir, mas aquele ursinho virou meu primeiro namorado oficial. E meu brinquedinho favorito também.
Às vezes experimentava outras coisinhas, como o cabo da escova de cabelo. Nunca cheguei a enfiar, era mais pra esfregar devagar por fora, sentindo aquela pressão gostosa. Usava também o cabinho da escova de dente. Era bom pra fazer fricção bem no clitóris. Era mais fininho, preciso, e me ajudava a chegar no orgasmo bem mais rápido.
Ainda não tinha uma pessoa especial na cabeça quando eu me tocava. Eram só sensações, só prazer. Eu era inocente, aquilo para mim não era uma coisa que eu entendia como sexual, era só algo gostoso que eu podia fazer sozinha.
Até que chegou o Carnaval de 2015.
E aí, sem que eu soubesse, o destino resolveu virar o conto de fadas do avesso. Porque, pela primeira vez, quando eu fechava os olhos e deslizava a mão entre as pernas, não era mais um corpo sem rosto que eu imaginava.
Era ele. Os olhos cor de avelã.
E ele estava prestes a virar minha vida inteira do avesso.