Capítulo 3

Brincando com o bullet

Empurrei ela na cama e ela caiu rindo, de braços abertos, o cabelo espalhado no lençol e a mecha da frente grudada na testa de suor. Peguei o bullet da mão dela, ainda morno da palma, girei até a segunda velocidade e o zunido encheu o quarto. Eu me coloquei entre as pernas dela e os joelhos se fecharam por reflexo, a coxa rígida, aquele músculo de quem dança desde criança. Abri com a mão, sem pressa, e ela deixou.

O cheiro subiu quando eu cheguei perto, cheiro de buceta, forte, meio doce meio azedo, misturado com o suor dela e com o meu, e eu encostei a boca na parte de dentro da coxa, onde a pele era fina e arrepiou debaixo do meu lábio com os pelinhos todos levantados — fria por cima, do vento que entrava pela janela, quente por dentro, salgada.

Espalmei a mão na virilha dela com o bullet embaixo da palma e comecei a passar por tudo menos onde ela queria: pelo pé da barriga, onde o zunido descia e fazia a pele tremer; pela dobra da virilha, aquela linha onde a perna encontra o corpo e dava pra sentir o sangue batendo contra os meus dedos; pela raiz do pelo; pela coxa por dentro, descendo até o joelho e voltando. O som mudava conforme o lugar, agudo em cima do osso, abafado na carne mole.

Toda vez que eu chegava perto do clitóris o quadril dela vinha atrás, subia da cama procurando a minha mão, e eu tirava, e ela soltava um som de reclamação pelo nariz, enfiava o calcanhar no colchão e levantava a bunda.

— Rafa, para de ser filha da puta…

Abri ela com dois dedos, sem o bullet, só pra ver: os lábios de dentro muito inchados e vermelhos, fazendo barulho de molhado quando eu abri, o clitóris pra fora, duro, brilhando. Botei o dedo devagar, como eu tinha prometido, e entrou fácil de tão molhada, mas mesmo assim ela prendeu a respiração e travou tudo por dentro, e eu parei com o dedo na metade. Ficou apertado em volta, quente, e eu senti o músculo dela segurar e soltar, segurar e soltar, umas quatro ou cinco vezes, até relaxar de vez e o corpo dela descer no colchão junto com o ar saindo.

Ela mexeu o quadril de leve, testando com o meu dedo dentro, e como não falou nada nem pediu pra tirar, eu empurrei até o fim. Por dentro estava lisa e escorregadia na entrada, e mais pra dentro ficava encharcada e mole. Virei a mão com a palma pra cima, dobrei o dedo em gancho e puxei pra cima, procurando aquele lugar mais áspero, mais duro que o resto, atrás do osso.

Pelo barulho que ela fez eu percebi que tinha achado o ponto certo. Não foi gemido, foi um “uh!” seco, o ar saindo todo de uma vez, como soco no meio da barriga. Ela olhou pra mim na mesma hora, os olhos arregalados, aquela cara de “é aí mesmo”.

Botei o segundo dedo, e apertou mais, e ela fechou o olho e franziu a testa, mas não pediu pra parar, então fiquei parada com os dois dentro até a cara dela desfranzir. Quando desfranziu, desci o bullet no clitóris.

Ela gemeu alto na hora, sem cerimônia nenhuma: as costas descolaram da cama, o pescoço esticou pra trás, o queixo subiu, e os joelhos bateram nas minhas costelas, um de cada lado, abrindo e fechando. A mão dela procurou o lençol, agarrou, soltou, subiu pro próprio peito e apertou o bico com força, largou, e acabou no meu pulso, e ficou lá — não empurrando pra tirar, mas segurando.

Cada vez que eu puxava os dedos pra cima e pressionava o bullet, ela gemia mais alto, até não sair mais palavra, só som, e o barulho da minha mão nela ia ficando mais alto, mais molhado, escorrendo pelo meu pulso.

E eu ali entre as pernas dela, olhando tudo de perto, com o coração batendo na garganta, a minha buceta latejando sem ninguém encostar, a boca cheia de água.

Eu olhava a barriga dela tremendo em cima do músculo, o peito subindo rápido, a cara toda amassada de prazer, a boca aberta, o pé esquerdo com o dedão duro e os outros dedos encolhidos — pé de bailarina, calo e tudo —, e ia mais rápido só pra ver o que o corpo dela ia fazer a seguir.

— Calma, calma, calma…

Não era pra mim. Era pra ela mesma.

Diminuí até deixar quase parada, só o zunido apoiado em cima, e ela ficou rebolando na minha mão sozinha, buscando a bunda subindo do colchão — e aí eu voltei com força.

— Ai… ai, caralho, Rafa…

A voz mudou de lugar, ficou fina e curta, sem ar entre uma coisa e outra, as coxas fecharam na minha cabeça e me prenderam, os pés cruzaram nas minhas costas, e o quadril subiu do colchão e ficou lá em cima, parado, tremendo, enquanto por dentro ela apertava meus dedos em onda, uma atrás da outra, tão forte que eu não conseguia mais mexer a mão.

Gritou. Gritou com a boca toda aberta e a mão apertando meu pulso.

Depois caiu no colchão de peso, de uma vez só.

Tirei o bullet e desliguei, e o silêncio chegou junto, e voltou o barulho do vento na fresta da janela e o dela puxando ar pela boca, rápido, com pressa.

Deixei os dedos dentro mais um pouco, parados, sentindo os apertões irem ficando fracos e espaçados até sumirem. Quando tirei, tirei bem devagar, e ela se contorceu inteira mesmo assim e juntou as pernas com a minha mão ainda no meio. A mão escorria até o pulso; passei no lençol e não adiantou muito.

Ela ficou de olhos fechados, o peito subindo e descendo, o cabelo grudado na testa e no pescoço. Um tremor passou pela coxa dela sozinho, passou de novo, e ela riu baixo, sem abrir o olho.

— Puta que pariu.

Eu ri, cheia de tesão de ter feito ela gozar daquele jeito, de poder controlar, me senti poderosa demais.

— Da próxima vez eu trago os outros para você experimentar.

— Promete? — Ela me olhou com os olhos cheios de tesão — Não esquece!

— Prometo.

E eu sabia que a semana inteira eu só ia pensar nisso.

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