Levantei, expliquei as regras e eles toparam na hora. Menos o Diego. Esse chato tem essa mania de querer organizar tudo, e às vezes até serve, mas quando ele resolve virar narrador de suruba é um saco. Foi exatamente o que ele fez. Se meteu no meio antes mesmo de eu começar.
— Porra, putinha, isso que dá te largar sozinha. Tu não sabe organizar nada direito. Tem que cronometrar, senão um fica mais tempo que o outro e não é justo.
— Vai se fuder, Diego. Cronometra essa porra então, já que você não vai participar mesmo.
Ele pegou o celular e abriu o cronômetro com aquela cara de quem acha que manda em tudo. Eu vi o maxilar dele travar no segundo em que virei as costas pra ele. Senti uma puta satisfação em fazer aquilo. Mas quando olhei de novo, não consegui saber direito o que estava vendo. Ele falava alto, provocava, cronometrava, mas o olhar dele não entregava se estava puto de verdade ou só se controlando. Eu estava sendo má de propósito. Queria que doesse. Queria que ele desejasse e não pudesse. Só que eu não tinha certeza se estava conseguindo.
Comecei pelo João Pedro. Subi na espreguiçadeira, montei em cima dele e fui sentando, e não foi devagar não. Sentei de uma vez, até o talo, e comecei a cavalgar olhando bem no olho dele, pegando nas mãos dele e botando nos meus peitos, apertando os dedos dele na minha pele pra ele entender que era pra segurar firme. Eu me esfregava no ritmo dos gemidos dele, acelerando quando ele soltava o ar, parando quando ele prendia. Eu tenho quase certeza de que ele só não gozou nos primeiros trinta segundos porque o Diego não calava a boca.
— Meu filho, esse jogo é pra perder! Goza logo, porra! Tu quer morar na buceta dela? Daqui a pouco eu vou começar a cobrar IPTU dessa porra aí.
— Cala a boca, Diego.
E eu voltava a sentar. O João Pedro estava com os olhos apertados, respirando pela boca igual quem está subindo ladeira, e a certa altura eu percebi que ele tinha parado de me olhar de propósito, virando a cara pro lado, encarando a grade do portão, o vaso de planta, qualquer coisa que não fosse eu. Achei aquilo a coisa mais gostosa do mundo, o cara ali com a minha buceta em cima dele e tendo que fingir que não estava, contando azulejo mentalmente pra não gozar. Passei pro André, que aguentou mordendo o próprio braço, e depois pro Caio, que respirava fundo e soltava devagar, todo compenetrado, parecendo que estava na ioga. O último foi o Gabriel. Ele já estava acostumado comigo, então não tinha aquela vergonha dos outros, mas mesmo assim segurou o máximo que deu, apertando minhas coxas com força enquanto eu cavalgava.
Na primeira rodada ninguém gozou. Levei na brincadeira, dei risada junto, mas mentiria se dissesse que aquilo não me deixou meio assim, sabe? Bateu um orgulho ferido. O que me obrigou a ser mais puta ainda.
Virei de quatro na espreguiçadeira, empinei o quadril, arqueei as costas e abri bem as pernas, dando pra eles a vista mais generosa que existe nesse mundo. Assim, de quatro, com o cu pro alto e tudo à mostra, não existe homem que resista. Tenho que admitir uma coisa: se eu pudesse, eu me comeria.
E aí eles começaram a cair um por um, coitados. Nenhum passou do primeiro minuto. E pra piorar a vida deles eu ainda fazia aquilo que eu sei que é golpe baixo: virava a cabeça por cima do ombro com a carinha mais santa que eu tinha, olhinho de coitadinha, vozinha baixinha, e pedia.
— Vai, mete. Mete gostosinho em mim, vai? Por favor. Me chama de putinha, chama.
Não tinha um que resistisse a isso. Eles metiam com força, o cronômetro do Diego não durava nada, e cada vez que eu abria a boca pra falar uma putariazinha eu já sentia o caldo quente escorrendo dentro de mim. O Diego ia falando os tempos lá de trás, como se fosse um locutor de rodeio, e eu de quatro, rindo por dentro, sabendo que o único que estava perdendo de verdade naquele jogo era ele.
O vencedor foi o João Pedro, o mesmo que tinha começado contando azulejo pra não gozar. Ele merecia o troféu e eu fiz questão de entregar direitinho. Me ajoelhei na frente dele com os outros três assistindo, chupei sem pressa, sem tirar o olho do olho dele em nenhum momento, e quando senti que ele ia vir deixei bem na boca. Engoli tudo e abri a língua pra ele ver que não tinha sobrado nada. Ele deitou na espreguiçadeira olhando pro céu igual quem acabou de ver Deus.
E eu queria mais, confesso. Mas o clima estava bom demais pra estragar. Dessa vez eles ficaram ali comigo, brincando, rindo do próprio desempenho, zoando um ao outro pelos tempos que o Diego tinha cronometrado. Me perguntaram se eu estava bem, se daquele jeito tão forte não tinha machucado. O Gabriel ainda entrou em casa e voltou com um copo de água pra mim. Eu gostei daquilo. Gostei mais do que eu esperava gostar, pra ser sincera. Não era o tipo de coisa que eu costumava receber depois.
Só que babaca tem que ser babaca até o fim. Assim que teve brecha, o Diego chegou do meu lado e falou baixinho, só pra mim, daquele jeito safado e ordinário dele.
— Adorei a surpresa, putinha. Podia ter avisado que eu chamava ainda mais uns caras pra te foder.
Droga. Eu tinha montado aquilo tudo pra ferir. Pra provocar ciúme, pra ver a raiva subir na cara dele, pra ele engolir seco e aprender a me respeitar. Em vez disso, eu estava ali, com a boca ainda com gosto de outro homem, e ele sorrindo pra mim, satisfeito, tranquilo, quase agradecido.
Eu dei um tiro no meu próprio pé.
Eu não tinha ferido nada, eu tinha alimentado.
Eu não fazia a menor ideia até aquele dia, mas o Diego era voyeur. O tesão dele não era me ter. Era ver. Ver a priminha putinha dele sendo comida por outros caras.