Terça-feira, 26 de maio de 2015
Quando ninguém mais conseguia transar de tão mortos, eu chamei o Gabriel num canto. Minha prima ainda estava deitada com o irmão dele.
— Gabs, vem cá!
Puxei ele pro canto enquanto os dois estavam na cama se beijando e levei ele para o corredor, ele veio sem entender achando que era outra coisa, mas eu fui já fui emendando.
— Se eu quiser fazer uma parada dessas, com um monte de caras, tu não consegue arrumar uns amigos?
Ele me olhou com uma cara de dúvida, tentando entender direito o que eu queria.
— Como assim? Você quer quantos?
A pergunta dele vinha com uma dúvida mas um espanto, não acreditando que eu ainda pensava em sexo depois de acabar de ter transado.
— Sei lá, uns três, quatro, cinco… Dez! Quantos você arrumar…
— Dez?? Caralho, garota, por que você é tão puta assim?
Ele riu meio que olhando pro nada. Eu ri também.
— Ah, dez é zoeira. Chama só os mais chegados.
— Posso ver com uns amigos… Tu tem preferência?
— Ah… tipo, se for bonitinhos e gostosos, melhor ainda. — Apontei o dedo no peito dele, bem firme, para ser bem enfática — Mas precisam ser de confiança, viu! Isso é importante. Não quero ninguém me explanando depois.
Ele ficou um segundo quieto, processando, depois concordou.
— Tá, Rafa, a gente faz o seguinte… amanhã eu vejo com eles e a gente vai se falando, pode ser?
Agarrei o pau dele dando uma leve puxada e dei um beijo rápido na sua boca.
— Fechado então.
Entrei correndo de volta pro quarto, ainda com o coração acelerado e um sorriso idiota na cara. Não cheguei a entrar direito. Ele me alcançou na porta e me deu uma tapa violenta na bunda, de mão aberta, que ardeu na hora e deixou a marca dos dedos.
Eu soltei um “ai” alto e ri, sem me virar, e me joguei na cama do lado da Carol como se nada tivesse acontecido.
Quarta-feira, 27 de maio de 2015
Passei o dia inteiro no celular com o Gabriel. De manhã ainda na escola, no intervalo, e de tarde de novo. Ficava perguntando se ele já tinha falado com os caras, quantos tinham topado, se tava tudo certo. Ele demorava pra responder e eu ficava olhando a tela como idiota, o coração disparando toda vez que o celular vibrava. No final da tarde ele finalmente mandou: tinha arrumado três, os mais chegados, todos de confiança.
“Bora marcar no McDonald’s, uma da tarde, pode ser?”
Eu li, sorri sozinha e respondi na hora:
“Uhuuu! Valeu, amanhã a gente se vê.”
E eu ia dar pra quatro!
Quinta-feira, 28 de maio de 2015
6h50
Acordei mega animada e nervosa pra caralho, imaginando como seria com os meninos que o Gabriel tinha arrumado. Eu não conhecia nenhum deles, e isso me deixava meio apreensiva. O que me deixava mais tranquila era o Gabriel por perto.
Tenho uma coisa pra confessar: estou ficando mesmo uma putinha. Adorei
dar pra dois ao mesmo tempo, como rolou com o Adriano e o Gabriel. Adorei a sensação de ser desejada, de ser o centro das atenções, de sentir todos aqueles olhos e mãos em mim, me usando. Isso mexia demais comigo, era um tesão do caralho na hora.
Mas o que me empurrava de verdade dessa vez era o Diego. Eu já tinha tentado de tudo pra chamar a atenção dele. Arrumei um namorado de mentira só pra andar de mãos dadas na frente dele e ainda me esfreguei no cara dentro da piscina da casa dele, e ele nem aí. Diego simplesmente não se importava. Pelo contrário, chegou a dizer que gostava de ver a priminha ficando safadinha do jeito que ele queria.
Gostou tanto de me ver dando pra outros caras que passou a chamar os próprios amigos pra me foder. Era ele quem escolhia, marcava a hora e ainda se achava no direito de me humilhar na frente deles quando dava na telha.
Dessa vez eu quis marcar a minha própria orgia. Queria que ele sentisse alguma coisa — ciúme, raiva, qualquer coisa — quando me visse sendo fodida sem ele ter mandado, sem ele ter organizado.
Tá, eu sei que era idiotice. Achava que, se mostrasse que não precisava dele, talvez ele finalmente me desse valor. Os sentimentos eram confusos pra caralho, mas no fundo eu só queria que doesse nele saber que tinha pau me comendo sem a supervisão dele.
13h
Passei na casa da Júlia pra trocar de roupa. Não queria que os garotos me vissem de uniforme e descobrissem onde eu estudava, coisa que nem ia ser difícil se um deles resolvesse cavar um pouco. O Gabriel estudava em outro colégio, também no centro. Era perto do meu, mas eu só conhecia ele de lá. Então imaginei que ninguém do colégio dele fosse me conhecer também. Na minha cabeça isso diminuía o risco. Todo mundo diz que Petrópolis é um ovo, geral acaba sabendo da vida de todo mundo, e eu morria de medo de ficar falada na cidade.
Vesti uma minissaia plissada branca e até tirei a calcinha. Saí de lá com a buceta nua debaixo do tecido e nada além disso, e eu já tinha costume de andar assim na rua, mas toda vez que eu fechava a porta e pisava na calçada dava aquele aperto bom na barriga.
A gente tinha combinado de se encontrar num lugar cheio, no McDonald's da rua do Imperador — a rua principal do centro. Da casa dela até lá não era longe, dava pra ir andando tranquilamente. Eu andava sentindo a saia roçar na pele, o ar batendo entre as minhas pernas, e o tempo todo o risco de um vento levantar aquilo mais do que devia e mostrar tudo pra rua inteira. Não apressei o passo. Deixei o caminho fazer o serviço, deixei que cada quarteirão fosse me deixando mais molhada.
E foi exatamente o que aconteceu. Eu sentia o olhar dos caras antes de olhar de volta. Uns disfarçavam, viravam a cara na última hora, fingiam ver alguma coisa do outro lado da rua. Outros nem se davam ao trabalho, me comiam com os olhos de cima a baixo e continuavam olhando depois que eu passava, olhando a minha bunda debaixo daquela saia curta, e eu sabia disso sem precisar virar o pescoço pra conferir. Eu adorava ser olhada assim, adorava saber que qualquer um deles ficaria doido se soubesse que embaixo do tecido não tinha nada.