Sexta-feira, 29 de maio de 2015
19h20
Voltei da aula de ballet e fui pra casa da Júlia. Já tinha avisado em casa que ia dormir lá, então nem precisava ficar de olho no relógio. Atravessei a área da piscina e dei de cara com a cena: o Felipe largado na espreguiçadeira, chapado pra caralho, e do lado dele o primo, o Arthur. Os dois estavam só de sunga, rindo alto, copo na mão. No chão tinha uma garrafa de vodka e um monte de latinha de energético espalhada.
O Felipe viu e já acenou.
— Rafa! Chega aí, vem beber com a gente!
Dei um passo meio tímido, com o collant ainda colado na pele suada, e foi ali que eu me liguei que aquela roupa era bem mais safada do que eu lembrava. Helanca preta fininha, colada em cada curva do meu corpo suado, não escondia um centímetro marcando tudo. Meus peitos apontavam com o bico duro, minha bunda tava inteira ali pra quem quisesse olhar, e no meio das pernas o tecido subia e fazia a risca da minha buceta. A gola cavada deixava meu colo e meus ombros nus, e aquela sainha de tule branca era tão curta e tão fina que dava pra ver tudo através.
Senti os dois me comendo viva com os olhos, de cima a baixo, sem disfarçar, e eu gostei. Gostei de saber que eles estavam de olho na minha buceta desenhada no tecido, de imaginar o pau dos dois duro dentro da sunga por minha causa. Homem sempre me olhava mais na cara dura quando eu tava com a roupa do ballet. Sei lá o que eles viam ali, mas devia ser puro fetiche. E eu, confesso, tava gostando de ser olhada assim.
— Vou trocar de roupa e já volto — avisei, piscando rápido antes de disparar até o quarto da Júlia.
Voltei pra área da piscina. Eles continuavam largados nas espreguiçadeiras, rindo alto, falando merda. Aproveitei que estavam distraídos e me joguei na água. A piscina era aquecida e a temperatura estava simplesmente perfeita. Chamei os meninos pra entrar, mas nenhum deles quis. Preferiram ficar ali, me olhando. Então eu demorei de propósito, aproveitando pra relaxar. Fiquei boiando de costas no meio da piscina, bem onde a luz batia, sabendo exatamente o que eu estava fazendo. Eu adorava ser olhada. Ser desejada, ser o centro das atenções.
A noite estava deliciosa — nem quente, nem fria — aquele clima típico de outono em Petrópolis. Mas bastou eu sair da água quentinha pra um vento gelado bater na minha pele molhada e me arrepiar dos pés à cabeça, com os dentes já querendo bater. O Lipe, aquele cafajeste assumido que de vez em quando sabia ser um cavalheiro, foi o primeiro a levantar. Pegou uma toalha e veio até mim. Agradeci com um sorriso, me enrolei nela e fui me secando devagar. Depois sentei no colo do Lipe, atrás do calor do corpo dele pra espantar o frio. Ele pousou as mãos nas minhas coxas, quentes na minha pele ainda gelada, e eu aproveitei pra roubar um beijo demorado da boca dele.
Peguei o copo dele e dei um gole: vodka com energético, aquela combinação que eu amo. Mas o Arthur logo se meteu, dizendo que ia preparar um drink especial só pra mim. Eu sorri, curiosa, e fui atrás dele até o bar.
O Arthur eu conhecia mais de vista. A gente se esbarrava nas festas na casa do Lipe, e ele sempre se oferecia pra preparar algum drink pra mim, mas a gente nunca chegou a conversar direito. Naquela noite, enquanto ele media a vodka e o licor de pêssego sem pressa nenhuma, me peguei reparando nele de verdade pela primeira vez. Tinha vinte anos, corpo mais de homem, ombros largos, peito definido, braços firmes. De sunga, peito de fora, dava pra ver cada detalhe, e eu não conseguia parar de olhar. Achava ele um cara realmente muito atraente.
Quando me entregou o copo, era um degradê perfeito, laranja em cima e vermelho sangrando embaixo, com a rodela de laranja encaixada na borda e o canudinho inclinado do jeito de quem fez com calma, pensando em cada camada. Ele não soltou o copo de primeira. Segurou mais um segundo, os dedos dele roçando nos meus na hora da troca, e só então abriu a mão, devagar.
— Prova aí... — disse ele, com aquele sorriso sacana.
Levei o copo até os lábios sem desviar dos olhos dele e deixei o primeiro gole descer devagar. Doce, geladinho, um toque cítrico ficando no fim da língua. O gelo encostou na minha boca e eu senti o arrepio subir pela nuca, o corpo inteiro reagiu.
— Hmm… que delícia. Qual o nome desse drink?
Ele me encarou, e o olhar desceu devagar pelo meu corpo, sem pressa nenhuma, parando onde ele quis parar antes de voltar pro meu rosto.
— Sex on the beach.
Soltei uma risadinha, mas o copo já estava tremendo de leve na minha mão.
— E aí… já fez?
Franzi a testa, fingindo inocência, apertando o canudinho entre os dedos.
— Já fiz o que, garoto?
Ele se aproximou até quase colar o corpo no meu, perto o bastante pra eu sentir o calor dele na minha pele e o cheiro do perfume dele. Ele era mais alto que eu e tinha uma presença que realmente mexia comigo. Quando falou, a voz saiu baixa, quase dentro do meu ouvido.
— Sexo na praia. Tu já fez?
— Ahhh… isso não, ainda não — respondi, e senti o rosto esquentar na hora.
Na real eu já tinha feito com o Diego em Búzios, mas preferi me fazer de inocente. E tinha alguma coisa em mentir olhando pra ele que me molhava mais do que a verdade molharia.
— Mentira que tu nunca fez? Que isso, é muito bom…
Ele continuou me encarando, aquele olhar predador, me despindo ali mesmo, com uma calma que era pior do que se ele tivesse me agarrado. Ficamos alguns segundos em silêncio, só isso, ele me olhando e eu segurando o copo suado contra o peito como se aquilo fosse me proteger de alguma coisa. Aí ele falou, a voz rouca:
— Sabe o que me deixa louco? Você tem esse jeito de menina delicada… mas é tão sexy.
Meu coração disparou e eu senti a respiração ficar curta, presa em algum lugar entre o peito e a garganta. Ele não tirava os olhos de mim, nem piscava direito. De repente se inclinou, devagar, claramente vindo me beijar, e eu virei o rosto na hora — nervosa e excitada ao mesmo tempo, com a boca ainda gelada do drink.
— O Lipe vai ver… ele tá olhando pra cá… — murmurei, quase sem voz.
— E daí? — respondeu ele, sem recuar um centímetro, o rosto ainda colado no meu. — Ele não vai ligar, ele sabe que tô a fim de você.
Olhei de relance pro Lipe. Ele estava mesmo olhando na nossa direção, mas estava longe.