Domingo, 24 de maio de 2015
18h
Saí da casa do Gabriel e fui direto pra minha. Tinha acabado de dar pros dois irmãos, ele e o Adriano. Entrei em casa e corri pro banho antes que minha mãe me visse. Claro que não tinha como ela perceber. Atravessei a sala com aquela sensação idiota de que estava escrito na testa: acabei de foder com dois, e que se ela olhasse pra mim, ia ler isso.
Deixei a água quente cair, fechei os olhos e senti de novo o Gabriel embaixo e o Adriano atrás, os dois me usando ao mesmo tempo. Tinha sido gostoso pra caralho. E eu tava ali, me sentindo suja, esfregando a pele meio grudenta do gozo, mas com tesão enorme de lembrar daquilo tudo.
Vesti um pijaminha de manga longa pra me aquecer, e me joguei na cama, só pensando em contar tudo pra Carol, e louca pra saber se ela toparia transar comigo e com aqueles dois juntos.
Eu sabia que ela estava na casa do namorado, então peguei o celular e mandei mensagem, perguntando que horas ela chegava.
O celular vibrou quase na hora, com a resposta dela:
"Chego em 1 hora, o que aconteceu?"
Fiquei olhando pra mensagem. O coração acelerou de novo, como se ela pudesse ler pela tela o que eu tinha feito. Digitei, apaguei, digitei de novo. Não dava pra contar por mensagem, não do jeito que eu queria.
"Preciso te contar uma coisa... só não demora"
"Prima, tá tudo bem?"
"Sim.. só não demora"
Fiquei pensando: "Ah, será que atrapalhei a foda dela com essa minha ansiedade?" Dei uma risadinha, joguei o celular na cama e liguei a TV.
20h15
Ela entrou no meu quarto direto, sem bater na porta, do jeito de sempre. Tirou o salto no meio do quarto, soltou o cabelo e foi pro meu espelho passar a mão na franja, reclamando do vento. A noite caiu e tinha esfriado bastante.
Na minha cabeça já estava tudo engatilhado na ponta da língua. Carol não era santa, pelo contrário, ela mesma já tinha me contado um monte de coisas que ela já tinha feito. Mas o que eu queria sugerir agora era outro nível. Eu queria ver, queria ouvir ela gemer alto de verdade. Queria ver minha prima dando de quatro com aquele rabo todo empinado, ver como ela cavalgava e como ela fazia um boquete toda babada! E eu ficava pensando nisso e um comichão na buceta vinha na hora, e eu apertava as coxas sem perceber.
— Carol.
Ela parou a mão no cabelo e se virou. A cara já veio séria.
— Putz, quando você me chama assim eu sei que vem bomba. O que você aprontou dessa vez?
— Eu tenho que te contar uma parada.
— Meu Deus, garota.
Ela largou a bolsa na cadeira, veio até a cama e se jogou na minha frente, puxando o travesseiro pro colo, e ficou me olhando de cima a baixo com aquela cara de quem já está calculando o tamanho do estrago. Eu não consegui segurar o canto da boca. Foi aí que ela entendeu que não era confissão de uma merda que eu poderia ter feito e sim uma fofoca quente, e o sorriso dela abriu antes de eu falar qualquer coisa.
— Sabe o Gabriel, o irmão do Adriano?
— Sei. O que tem ele?
— Dei pra ele… e puta que pariu, você não sabe o que aconteceu depois!.
— O que? Conta logo, tá me deixando nervosa, caralho!
Dei um sorrisinho e continuei.
— Se liga… depois que eu dei pra ele, falei pra ele chamar o Adriano… e dei pros dois juntos.
Ela ficou um segundo parada, processando. Depois arregalou os olhos.
— Pera, como assim? Os dois? Ao mesmo tempo?
Tapei o rosto com as duas mãos e assenti entre os dedos. Foi aí que ela gritou:
— SUA PUTAAAAAA! Me conta isso agora, Rafa!
E eu contei.
Cada pergunta dela puxava um detalhe que eu nem sabia que tinha guardado. Ela estava sentada com o travesseiro apertado no peito, os olhos brilhando e a boca aberta de espanto. Eu fiquei contando toda a história e rindo do jeito ansioso dela, porque toda vez que eu parava pra respirar um bendito segundo, ela dizia “e aí, e aí… vai, continua” E ficamos as duas nessa, sentadas na cama até tarde, falando só disso sem mudar de assunto.
E era eu falando. Sempre tinha sido ela a professora, ela sempre vinha com uma safadeza nova e eu escutava com o travesseiro na boca e as coxas coladas babando, e naquela noite quem estava ouvindo cada frase era ela. Eu me encostei na cabeceira, cruzei os braços atrás da cabeça e demorei de propósito pra continuar, só pra sentir mais um pouco aquele calor gostoso subindo no peito de quem finalmente tinha uma bomba pra contar.
— Você quer mesmo saber o resto?
Ela me deu um tapa estalado na coxa.
— RAFA.
Quando eu terminei a bicha não conseguia mais montar uma frase. Começava, "mas então vocês", parava, respirava, tentava de novo, "e aí quando ele", e desistia no meio outra vez, com o travesseiro esmagado contra a barriga. Eu conheço a minha prima: ela não tinha piscado uma única vez desde que eu comecei. Ela estava entretida, totalmente presa na história. Então, eu aproveitei. Ajeitei o cabelo, olhei pro teto, deixei o silêncio esticar até ela abrir a boca pra me apressar — e falei antes.
— Então, Carol… é que foi tão incrível que eu quero fazer de novo. Mas com você junto.
Ela levantou a cabeça, me encarando.
— Como assim?
— Nós quatro. Eu, você, o Adriano e o Gabriel. Ao mesmo tempo. Tu acha que rola?
Carol jogou o corpo pra trás na cama, tapou a boca com as duas mãos e riu daquele jeito agudo que sai quando ela leva um susto, os pés chutando o colchão, e demorou pra voltar a sentar.
— Tu tá propondo um swing, Rafa?
— Sei lá se é esse o nome... Só sei que eu quero fazer de novo — olhei bem no fundo dos olhos dela, quase intimando, e continuei — e a senhorita vai junto.
Ela ainda ria, nervosa, quando eu completei:
— Tu nunca pensou em fazer assim com dois ao mesmo tempo?
Ela passou a mão no cabelo, mordeu o lábio de baixo e olhou pro travesseiro no seu colo com um olhar perdido e demorado.
— Ah, prima… Pensar eu já pensei, claro.
— Então bora! Eu até já até perguntei se eles topavam.
Ela parou de rir na hora, arregalou os olhos e deu outro grito.
— SUA MALUCAAAAA! Tu não fez isso!!