Capítulo 0

A prima sentando na pica dos dois

A visão daquilo era única. Parecia um show particular: três atores fazendo só pra mim, e parecia ensaiado de tanto que estava sincronizado — ninguém atravessava ninguém, cada um sabia a sua parte. O Adriano conhecia a minha prima: metia firme, duro, uma cadência forte e curta, sem ir até o fundo, batendo sempre no mesmo lugar, e dava pra ver que era ali mesmo porque ela subia o tom a cada estocada. Coitada da Carol, já não tinha força pra chupar. A boca escorregava e ficava só encostada no pau do Gabriel, aberta, com a testa apoiada na coxa dele, a mão segurando por segurar. Ela só recebia. Até que eu fiz a sugestão que mudou a noite.

— Prima. Senta no Adriano, de frente pra ele, e deixa o Gabriel vir por trás.

Os três pararam. O Adriano segurou o quadril dela no meio do movimento e ficou parado dentro. O Gabriel abriu um sorriso que não fechava, parecendo não acreditar, e olhou pro irmão, e os dois se encararam um segundo, cada um esperando o outro pra saber quem começaria primeiro.. A Carol levantou a cabeça devagar, o cabelo todo na cara, e virou pra mim.

— Ao mesmo tempo?

Ela perguntou já sabendo. Não era dúvida. A gente já tinha falado daquilo, ela queria tanto quanto eu. E eu já tinha feito, então sabia o que estava propondo: é complicado, machuca, e é insano. Dá um tesão fudido. Foi meio como foi com os meninos no domingo, só que dessa vez eu queria com um pouco mais de carinho. Então eu assumi a direção.

— O Adriano fica embaixo, é o maior. Tu senta nele de frente. Gabriel, tu vem por trás quando ela mandar.

Aí virou uma bagunça, do tipo boa. Eles trocaram de lugar tropeçando um no outro, o Gabriel bateu o joelho na cabeceira e xingou, o Adriano deitou e ficou olhando pro teto rindo sozinho. A Carol subiu em cima dele, de frente, e sentou torto na primeira tentativa, e a gente riu. Ela ajeitou, encaixou, desceu até o fundo e soltou o ar todo de uma vez. Depois olhou pra mim por cima do ombro, com aquela cara de quem está adorando e morrendo de medo ao mesmo tempo. 

— Vem, Gabriel. Devagar.

Ele se ajoelhou atrás dela, entre as pernas do irmão, e tentou. Escorregou, tentou de novo, e ela deu um gritinho e uma cotovelada pra trás.

— Aí, devagaaar — reclamou Carol, sentindo ele empurrar.

— Passa mais lubrificante, caralho — eu falei. — Não precisa economizar, o cu e o lubrificante não são seus, né?

O Adriano ficou todo enterrado nela, parado, enquanto o Gabriel passava mais lubrificante e enfiava os dedos pra facilitar a entrada, e foi encaixando a cabeça, entrando milímetro por milímetro enquanto ela respirava fundo e o Adriano segurava o quadril dela imóvel. Eu nem preciso dizer que cada detalhe daquilo me deixava molhada demais. A minha prima estava rindo agora, rindo de nervoso, mas eu sabia o que estava passando por dentro dela.

Cheguei perto pra ver de pertinho. A cena era linda: a buceta dela engolindo o Adriano inteiro, sem sobrar nada, e o Gabriel pincelando, ganhando um pouco de espaço a cada tentativa, indo e voltando. Demorou, mas eles conseguiram. Quando os dois estavam até o fundo, ela ficou imóvel no meio, com as costas quase coladas no peito do Gabriel e as mãos apoiadas no peito do Adriano. Dava pra ouvir tudo: a respiração dos três desencontrada, o barulho molhado, o rangido da cama. Ninguém falava mais nada.

O começo foi um desastre. Eles não sabiam o que fazer um com o outro. Os dois empurravam ao mesmo tempo e a Carol gritava de dor. Aí os dois paravam ao mesmo tempo e não acontecia nada. O Gabriel escorregou pra fora uma vez e teve que voltar do começo, xingando. Foi o Adriano que achou o ritmo primeiro: ele parou de forçar, segurou ela pelo quadril, deixando ela descer nele enquanto o Gabriel entrava, e aí encaixou. Um saía enquanto o outro entrava, revezando. Ela subia e descia no Adriano, e o Gabriel acompanhava de trás, as mãos na cintura dela. O que era briga virou máquina. Quando pegou o ritmo, pegou de verdade.

E a Carol gemia. Não era mais gemido de "ai" e "vai" e "assim", era um som só, contínuo, saindo dela a cada estocada como se estivessem espremendo o ar dela pra fora, alto o bastante pra tomar o quarto inteiro. Ela não falou uma palavra dali em diante. Eu estava com a mão entre as pernas e nem lembro de ter começado de novo, e o que me pegou não foi nem a imagem, foi o barulho dela.

Eles gozaram os dois dentro. O Gabriel primeiro, com a mão travada na cintura dela e a cara enfiada nas costas dela, e o Adriano logo atrás, empurrando de baixo três, quatro vezes e segurando ela colada nele. Nenhum dos dois saiu. Continuaram ali dentro, socando devagar, e foi aí que começou a escorrer — a cada vez que um voltava a porra saía junto, descia pela coxa dela, pingava na barriga do Adriano, escorria pelo saco dele e melava tudo. E eles continuavam, e continuava saindo.

E eu não consegui dizer se ela gozou. Sério. Eu estava a um palmo, olhando tudo, e não deu pra saber, porque o som dela nunca parou de ter um pico, nunca teve aquele segundo de silêncio antes. Foi um gemido só do começo ao fim, do primeiro encaixe até eles saírem de dentro dela.

Quando acabou, ela rolou pro lado e ficou de bruços na cama, com a cara virada pra mim, o cabelo colado na testa, tentando respirar. Os dois meninos estavam mudos, cada um caído pro seu lado, sem coragem nem de se olhar. A Carol ficou um tempo assim, só puxando ar. Aí ela riu baixinho, com os olhos ainda fechados.

— Caralho, Rafa...

— Foi bom?

— Eu gozei duas vezes uma atrás da outra. Tu não viu, não?

Eu não vi. Eu estava com os olhos grudados nela a noite inteira e não vi. Deitei do lado dela, ainda com o coração batendo na garganta, e ela abriu um olho só pra me encarar, com aquele sorriso de quem acabou de gozar pra caralho e tá satisfeita.

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