Era uma ordem, mas soava como se ela tivesse implorando. E eu queria muito fazer aquilo com ela. Só que eu já tinha estado exatamente onde ela estava, e tinha escolhido a mesma coisa: perder a virgindade com um brinquedo, sozinha, pra não dar esse gostinho pra homem nenhum. Era isso que eu dizia na época, com todo o orgulho do mundo. Depois eu transei com um cara e vi que era melhor. Bem melhor. Era isso que travava a minha mão. Não era ela querer. Era eu saber que depois, quando ela descobrisse a diferença, ia se arrepender.
Ela abriu mais as pernas e levantou a cabeça do travesseiro pra me olhar.
— Vai, deixa eu saber como é isso dentro de mim? Eu quero.
Eu não respondi. Voltei a ponta do vibrador pro clitóris dela e apertei mais forte do que antes, e ela largou a cabeça no travesseiro de novo com um gemido que saiu inteiro. Girei ali, sem sair do lugar, e quando o quadril dela começou a acompanhar, eu desci de novo pela entrada, só encostando, só molhando a ponta, e subi outra vez. Mais forte. Sempre por fora.
Ela agarrou o lençol com as duas mãos e começou a gemer sem parar, uma coisa contínua, cada vez mais alta, as pernas tremendo abertas dos dois lados da minha mão.
Não saí mais dali. Fiquei no clitóris, firme, no mesmo ritmo, e usei a outra mão pra segurar a coxa dela aberta, porque ela já estava tentando fechar em cima da minha mão. Ela largou o lençol e as duas mãos vieram pro meu pulso. Não empurrou. Só segurou, apertando cada vez mais forte, e as unhas entraram na minha pele.
— Enfia… enfia… dentro…
Saiu tudo junto, sem espaço entre as palavras. Os gemidos foram ficando mais curtos, mais agudos, um atrás do outro, no compasso da respiração, e ela começou a levantar a bunda do colchão pra ir contra o vibrador. Eu subi junto, sem soltar, mantendo a pressão.
Ela parou de respirar. Ficou uns segundos assim, muda, com o quadril no alto e o corpo inteiro duro, a barriga travada, o pescoço esticado pra trás e a boca aberta sem sair nada. Eu senti a pulsação dela batendo contra o brinquedo, rápido, uma atrás da outra. Aí voltou tudo de uma vez. Gritou, soltou o ar, o quadril caiu no colchão, e ela ainda ficou tremendo por uns segundos, com espasmos puxando a perna sozinha.
Desliguei o vibrador e deixei ele de lado na cama.
Ela juntou as pernas na hora, virou de lado e se encolheu toda, com as mãos entre as coxas, rindo e puxando ar ao mesmo tempo, o cabelo grudado na cara.
— Tu é foda, hein? — falou, ainda sem fôlego, e precisou respirar no meio. — Vou morrer cabaço desse jeito.
Eu ri. Já sabia que ia ter que me explicar por não ter enfiado o troço nela, e que não ia ser rápido. Então me sentei no colchão, me endireitei e comecei a me explicar.
— Ah, Jú, desculpa. Não queria que a tua primeira vez fosse com um pedaço de borracha.
Ela ficou quieta um segundo. O sorriso sumiu um pouco.
— Por quê? Eu pedi.
Peguei o vibrador desligado e fiquei olhando pra ele na minha mão.
— Eu sei. Eu também já quis enfiar alguma coisa em mim. Só que depois eu fiz com um cara, e foi muito melhor. Não tem nem comparação.
Ela não falou nada. Só ficou me olhando. Os olhos fixos em mim estavam molhados de tanto gozar.
— Meu medo é tu se arrepender depois, sei lá.
Ela bufou, deitou de costas e olhou pro teto. A barriga ainda subia rápido.
— E como eu vou arrumar um cara, Rafa?
Ela levou as mãos ao rosto e continuou.
— Nunca tive vontade de transar, nunca me apaixonei e nem sei se isso vai rolar na real.
Ela puxou o ar pelo nariz, segurou um tempo e soltou.
— Eu acho que eu sou sapatão, só pode.
Dei uma puta gargalhada.
— Então, se tu tá na dúvida, porra, arruma logo um pau, caralho.
— Que pau? Pau de quem? — Ela jogou a mão pra cima e deixou cair no colchão, irritada, mas ainda rindo com o corpo mole da gozada.
— Te apresento meu primo, que tal? E aí a gente transa os três.
Ela virou a cabeça no travesseiro pra me olhar.
— Aquele Diego que tu fala toda hora?
— Aham, ele mesmo.
Ela arregalou os olhos e não falou nada na hora. Ficou ali, parada, olhando pro teto, e eu quase conseguia ler o pensamento dela: estava considerando.
— Os três? Tipo… juntos? — Ela levantou a mão e fez um gesto no ar, meio perdido. — Todo mundo se pegando?
— Uhum. — Entreguei rindo, pra ela não ter dúvida nenhuma de que a proposta era safada mesmo. — Ele é mandão comigo, mas é gente boa, vai te respeitar. Não vai rolar nada que você não queira, prometo.
Ela puxou o lençol e cobriu metade do corpo, sem tirar o olho do teto. Levou um tempo.
— Tá, vô pensar…
Eu aceitei o talvez dela como certeza. Claro que ela tinha aceitado, estava na cara. Ela só ia demorar um pouco pra falar em voz alta, porque a gente é ensinada assim: sentir primeiro, admitir depois, e de preferência nunca.
Mas na hora aquilo me deu um fogo do caralho. Eu já estava vendo a cena: nós três na cama, ela embaixo do Diego pela primeira vez, a cara que ela ia fazer, o barulho que ela ia fazer, e eu ali do lado vendo tudo de perto, sem ser eu a peça principal pela primeira vez. Puta merda. Fiquei molhada de novo, sem ninguém encostar em mim, só de imaginar. Apertei as pernas uma na outra e mudei de posição no colchão pra ela não perceber. Não percebeu. Estava de olhos fechados, com o lençol até o meio da barriga, o peito subindo devagar, já quase dormindo.