Domingo, 15 de março de 2015
18h45
Passamos o dia inteiro na praia. A Carol, claro, grudada no Murilo, e eu... grudada nos dois, tipo vela. Fazer o quê, né? Pior que o casalzinho ficava ali se beijando na minha frente. E eu estava como? Eu só tentava não pensar na noite anterior, mas era impossível. O beijo não saía da minha cabeça.
Voltamos pra casa pouco antes do pôr do sol. O Murilo foi pra pousada dele e a Carol veio comigo. Tomamos uma ducha gostosa pra tirar o sal e a areia, e depois nos jogamos na cama ainda enroladas nas toalhas, mortas de cansaço.
Olhei pra Carol ao meu lado. As duas quase peladas, pele ainda úmida, cheiro de sabonete misturado com o calor do corpo. De repente veio aquele pensamento maldoso. A imagem do beijo que tínhamos trocado antes voltou com tudo na minha cabeça, tão forte que quase senti os lábios macios dela de novo, o gostinho doce da boca, a língua tímida roçando na minha. Caralho, meu coração acelerou, a barriga deu aquele reviravolta quente, e uma energia estranha me puxava pra ela. Era parecido com o que eu sentia com o Diego, aquele tesão que sobe rápido, mas diferente ao mesmo tempo. Mais suave, mais curioso, sabe? Eu não sabia explicar direito, só sentia que queria mais.
Não aguentei. Do nada, atrapalhada, nervosa pra caralho, deixei escapar no meio de um impulso:
— Carol… bora beijar de novo?
Ela me olhou com aquela cara de “o quê?”, olhos arregalados, tipo processando se eu tava zoando ou falando sério. Mas não disse nada, só ficou me encarando com um olhar que eu não conseguia decifrar.
Eu fiquei morrendo de vergonha por dentro, mas o tesão falou mais alto. Respirei fundo, mordendo o lábio, sentindo o rosto queimar inteiro. Insisti, meio manhosa, meio atrevida:
— É que foi tão bom, né? Vamos repetir…
Antes que ela respondesse, me ajoelhei na cama e fui pra cima dela. Encarei aqueles olhos avelã irresistíveis, tão hipnotizantes quanto os do irmão dela. Meu Deus, que merda era aquela? Parecia que eu tava sendo puxada por um imã.
Nossos corpos se encostaram devagar. O calor da pele dela contra a minha, ainda úmida da toalha, me atravessou como um choque elétrico. Nossas pernas roçaram, as barrigas se apertaram uma contra a outra, e eu senti o coração dela batendo forte, quase no mesmo ritmo desesperado do meu. Meu corpo todo formigava, os bicos dos peitos endurecendo contra a toalha. E lá embaixo, puta merda, tudo molhado, aquela umidade quente e traidora escorrendo devagar. Eu queria mais. Queria puxar a toalha e grudar pele com pele. Mas ao mesmo tempo tava nervosa pra caralho
E o nosso segundo beijo começou mais calmo, lento e carinhoso. Meus lábios encontraram os dela e, no instante em que nossas bocas se encaixaram, eu perdi o fôlego. Foi um arrepio atrás do outro. Um calor que começava no peito e descia, descia… descia até latejar bem no meio das pernas. Como era bom!
Nossas línguas se entrelaçaram, e era incrível como elas pareciam se encaixar perfeitamente. Como se nossos corpos já soubessem o que fazer, mesmo sem ninguém ter ensinado. Ela tinha um gostinho doce, molhado, e o jeito que a língua dela brincava com a minha me deixava mole inteira. Eu gemia baixinho contra sua boca, as mãos subindo tímidas pelas costas, sentindo a pele quente, macia. A toalha dela escorregou um pouco no ombro e eu quase surtei de vontade de puxar tudo.
Depois de alguns minutos, ela ficou agitada. De repente me empurrou de leve, ofegante, e sussurrou contra meus lábios:
— Rafa… para... Caralho, para! Melhor a gente parar…
Eu congelei, mas meu corpo ainda pegava fogo. Fiquei olhando pra ela, o peito subindo e descendo, a buceta latejando de tesão e a cabeça já rodando mil coisas.
Talvez um pouco contrariada, sem entender direito o que aconteceu com ela, eu deitei do seu lado, sem dizer nada. Só tentando controlar a respiração e entender o que tinha acabado de acontecer. Nossa, tinha sido incrível! Eu só não queria que tivesse parado.
Tinha sido tão novo. Tão inesperado. Nem ela, nem eu, nunca tínhamos beijado uma garota antes. Mas aquele beijo mexeu comigo de um jeito que eu não sabia explicar. Não era só curiosidade, era outra coisa... era desejo.
Depois daquele beijo, alguma coisa acendeu dentro de mim, e foi impossível ignorar. Fiquei toda confusa, sem saber o que pensar. Mas a verdade é que comecei a sentir uma atração real pela Carol. Vontade de beijar de novo, de sentir o corpo dela encostado no meu. E essas sensações e vontades foram se intensificando a cada beijo.
E, pra piorar ainda mais minha cabeça, eu era apaixonada pelo Diego. Desde sempre. E agora eu estava ali, deitada ao lado da irmã dele, com a boca ainda quente do beijo que acabamos de trocar… E me sentindo atraída por ela também.
E aí minha cabeça deu tilt total.
Como eu podia estar apaixonada pelo Diego e, ao mesmo tempo, sentindo uma atração tão louca e inesperada pela a irmã dele?
Fiquei bem confusa. Real.