Diário,
Hoje eu mal consigo escrever direito, as mãos ainda tremem tanto que a caneta escorrega nos dedos.
Aconteceu.
Finalmente aconteceu.
Eu não imaginava que seria assim, tão intenso, tão arrebatador, como se cada nervo do meu corpo tivesse acordado de uma vez. Ainda sinto o gosto dele na língua, salgado e quente, grudando no céu da boca, e o arrepio que subiu pela espinha inteira quando ele me tocou pela primeira vez. A sensação do corpo dele colado no meu, o calor da pele dele contra a minha, o peso dele me pressionando, tudo isso ecoa aqui dentro, como se ainda estivesse acontecendo.
Só de lembrar, o coração dispara forte no peito, batendo descompassado, e uma onda de calor sobe pelo corpo todo. E se tudo isso foi só um sonho? Ah, eu só não quero acordar nunca mais, pra não perder essa loucura que me tomou por inteiro.
Quinta-feira, 16 de abril de 2015
14h15
Cheguei da escola com a Carol e viemos direto pra casa dela.
Almocei com meus primos, Carol e Diego, e com a minha tia, como acontecia quase todos os dias da semana. Assim que terminamos, Carol bocejou alto:
— Tô morta, gente… vou tirar um cochilo no quarto.
Ela se levantou, o shortinho curtíssimo marcando a bunda, e saiu pelo corredor sem olhar pra trás. O barulho dos pés descalços foi sumindo devagar até sobrar só o silêncio do ambiente.
Eu continuei ali, sem nenhuma pressa, terminando minha sobremesa. A fatia de pudim estava cremosa, quase molhada de tão macia. Eu lambia a colher devagar, deixando o doce grudar na língua, derretendo devagarinho, sentindo aquele sabor invadir toda a boca enquanto meus olhos subiam até encontrar os dele.
Diego estava sentado bem na minha frente, me observando em silêncio. Aqueles olhos avelãs cravados em mim, boca entreaberta, como se já estivesse imaginando mil coisas que não devia. O olhar dele desceu pela minha boca, pelo pescoço, pela regatinha fina… e voltou. Foi só eu raspar o último pedacinho do prato que ele se levantou devagar.
— Eu vou pegar uma piscina, tu tá a fim de ir também?
A voz saiu rouca, quase preguiçosa, mas carregada de segundas intenções.
Ah, eu queria. É claro que eu queria. O dia estava meio nublado, um céu cinza, mas a piscina era aquecida, o que deixava a água sempre morninha e convidativa.
Pensei por um segundo em subir no quarto da Carol pra trocar de roupa, pegar o biquíni preto de lacinho que eu gosto, mas desisti. Levantei da cadeira do jeito que estava: shortinho jeans justo que marcava tudo, uma regatinha branca de alcinha fina, sem sutiã por baixo. Os bicos já estavam meio endurecidos com o friozinho do dia. Não sei se foi de propósito ou se foi só preguiça, mas agora sei que foi a melhor decisão do dia.
Chegamos na área da piscina. O cheiro de cloro misturado com o perfume de grama molhada subiu no ar. Ele tirou o short bem na minha frente, sem cerimônia, ficando só de sunga preta colada, o volume já evidente esticando o tecido de um jeito que me fez perder o ar na hora. Minha boca salivou imediatamente. Eu sempre ficava assim quando o via daquele jeito: coração batendo na garganta, um calor subindo devagar pelo peito, pelas coxas, concentrando-se bem no meio das pernas.
Sentei na beirada, mergulhei os pés na água. O calor morno envolveu meus tornozelos, subiu pelas panturrilhas como uma carícia lenta, e um arrepio gostoso desceu pela espinha inteira. Fiquei ali, balançando as pernas devagar, sentindo as gotas espirrarem nas coxas, molhando o short.
Ele entrou na piscina sem pressa, mergulhou uma vez e emergiu jogando o cabelo pra trás. A água escorreu pelo peito dele, pelos ombros, pelos braços definidos, pingando das pontas do cabelo. Ele ficou parado no meio da piscina me olhando fixo. Não disfarçava nada. Os olhos dele desceram devagar pros meus peitos. Senti os mamilos endurecerem mais ainda sob o olhar dele, como se o tecido fosse quase nada.
Tentei fingir que não percebia. Desviei os olhos pro céu cinza, pro reflexo da água, mas era impossível. A pele dele brilhava molhada, o corpo dele se movia devagar na água, e eu sentia o calor subindo pelo meu corpo todo, uma pulsação lenta e insistente entre as pernas.
Puxei um assunto qualquer pra quebrar o silêncio, tagarelando qualquer coisa que vinha na cabeça, só pra disfarçar o quanto eu estava sem jeito, o rosto queimando de vergonha com aqueles olhares safados do Diego me secando os peitos sem vergonha nenhuma.
— A água tá uma delícia… quentinha.
— Então por que você não entra aqui? — ele retrucou, com aquele sorriso safado que sempre me desarma.
Balancei a cabeça, sentindo o rosto esquentar de leve.
— Sem chance, Diego. Não tô de biquíni… olha minha roupa.
Ele deu uma risada baixa, veio nadando mais perto até encostar na borda bem na minha frente. A mão dele subiu devagar pela minha perna molhada, dedos quentes da água morninha, arrepiando tudo por onde passava.
— E daí? Entra assim mesmo, qual o problema? — falou, os olhos descendo de novo pros meus peitos, sem o menor pudor.
Meu coração batia forte no peito, uma mistura de vergonha e aquele calor traiçoeiro que já subia pela barriga.
— Ah, Diego… eu tô de boa assim. Se depois der vontade, eu coloco o biquíni… — respondi, tentando soar firme, mas a voz saiu mais baixa, quase um sussurro.
Ele inclinou a cabeça, ainda sorrindo.
— Teimosinha você… mas tudo bem, me conta então como tá o namoro.
Ele mudou o foco de repente, mas não tirou os olhos de mim nem por um segundo. Fiquei olhando pra água, sentindo o olhar dele queimando.
Eu ri, nervosa, tentando aliviar.
— Não é nada sério, a gente tá só ficando.
— Ué… mas você me apresentou ele como namorado. Achei que fosse compromisso mesmo — disse, arqueando a sobrancelha, voz carregada de curiosidade.
Eu ri de novo, nervosa, sentindo as bochechas quentes.
— Nada disso. Falei namorado, mas na real é só ficante mesmo.
Pelo menos nisso eu não estava mentindo. Nunca houve namoro de verdade, era mais para fazer ciúmes nele mesmo.
— Sei… mas me diz, quantos anos esse tal Rodrigo tem? — perguntou, me olhando fixo, como se quisesse ler cada pensamento meu.
— Vinte e um — respondi sem pensar.
Diego franziu a testa, um brilho diferente nos olhos.
— Vinte e um? Você não acha ele meio velho pra você? Cara nessa idade não costuma se contentar só com beijo e mãozinha dada…
Ele me encarou esperando, como se soubesse que ia me deixar sem graça. Meu estômago revirou.
— Me conta. Deve rolar uns amassos, né? Mão aqui, mão ali… — falou, rindo daquele jeito sacana que me deixa zonza.
Continua...