Capítulo 3

A pílula do dia seguinte e o medo de engravidar

Depois que a poeira baixou, a cabeça esfriou e a ficha caiu: eu tinha transado sem camisinha e o Diego tinha gozado dentro. O pânico subiu no peito antes de virar pensamento. Engravidar agora era o fim. Mandei a Carol parar de me encher o saco — o Diego ia me levar na farmácia. Eu devia ter tomado banho e ido com ele que nem gente. Não fui. Ainda estava com fogo e a gente transou de novo, no meio do medo, como se o segundo round pudesse adiar a farmácia.

Depois que a poeira baixou, a cabeça esfriou e a ficha caiu: eu tinha transado sem camisinha e o Diego tinha gozado dentro. O pânico bateu na hora. Eu não podia engravidar, se isso acontecesse eu estava fodida. Mandei a Carol parar de me encher o saco, porque o Diego ia me levar na farmácia. Eu devia ter tomado banho e ido com ele que nem gente normal, mas fiquei de fogo e acabamos transando de novo.

Tomei a pílula do dia seguinte com a mão tremendo. Voltei pra casa com o coração na boca, direto pro quarto da Isabella. Já sabia que ia levar outro esporro, mas precisava contar. Ela sempre foi superprotetora, agindo como se fosse minha mãe, e eu sabia, mesmo com medo, que podia contar com a ajuda dela.

Fechei a porta atrás de mim e fiquei parada, sem saber por onde começar.

— Isa... preciso te contar uma coisa.

Ela estava deitada, mexendo no celular. Levantou o olhar devagar, já desconfiada.

— O que foi agora?

Respirei fundo.

— Eu... não sou mais virgem.

O silêncio pesou. Ela se sentou na cama e jogou o celular de lado.

— Com quem?

— Com o Diego.

Ela arregalou os olhos.

— E o que mais, Rafa? Tem mais alguma coisa, não tem? Fala logo!

Meu estômago revirou. Ela nem tinha se abalado tanto com a parte do Diego — a gente vivia junto, eu praticamente morava lá. O problema era o que vinha agora.

— Foi sem camisinha.

Isabella ficou parada, olhando pra mim como se eu tivesse dito a maior merda do mundo. E naquele momento eu também achava que tinha.

— Rafaella... — a voz dela saiu baixa, carregada de decepção. — Você é burra? Sério?

— Eu já tomei a pílula do dia seguinte. — minha voz saiu embargada. — Mas tô com um medo desse caralho não funcionar. Tô em pânico, Isa. Sério. Não consigo parar de pensar nisso.

Ela passou as duas mãos no rosto, respirando fundo, segurando um sermão maior.

— Depois de tudo que a gente já conversou... todo aquele papo de escolher o momento certo, se cuidar...

— Eu sei — interrompi, quase chorando. — Eu sei. Já levei um puta esporro da Carol, não preciso de outro agora. Eu só... tô com medo. E queria saber o que você usa pra... não engravidar.

Isabella ficou em silêncio alguns segundos antes de responder.

— Eu tomo anticoncepcional, Rafa. Todo dia, no mesmo horário. A mãe sabe e nunca me julgou por isso.

Levantei o olhar, o peito ainda apertado.

— Você acha que ela reagiria igual comigo?

Ela me olhou de um jeito que parecia mais preocupação do que julgamento.

— Não sei, né, Rafaella... Ontem você ainda era uma menina, hoje já virou mulher. Nem sei direito como a mãe vai receber isso.

Ela respirou fundo e continuou, mais firme:

— Mas antes a gente tem que agir. Vou tentar te encaixar com a minha ginecologista o mais rápido possível. Agora me escuta bem: usa camisinha. Ouviu?

Só balancei a cabeça, sem conseguir olhar direto pra ela.

— Ouviu, Rafaella?

— Ouvi.

Quarta-feira, 20 de maio de 2015

Hoje foi o dia da consulta com a ginecologista que minha irmã indicou. Fui com ela, porque sozinha eu travava de vergonha.

Passei a aula inteira pensando naquilo, ensaiando mentalmente o que ia contar pra doutora. Uma coisa eu não podia esquecer: pedir o anticoncepcional. Isso era o mais importante. Eu tinha tomado a pílula do dia seguinte no mesmo dia do descuido, mas o medo de engravidar não tinha ido embora, ficava martelando. E os caras — principalmente o Diego — sempre enrolavam com camisinha. Eu queria algo mais seguro, alguma coisa que não dependesse da boa vontade deles.

Cheguei nervosa pra caralho. A médica era mais nova do que eu imaginava, cabelo preso, jaleco branco, voz calma. Me olhou direto quando entrei.

— Pode sentar. Sua irmã pode ficar ou prefere conversar sozinha?

Olhei pra Isabella. Ela acenou com a cabeça e saiu, fechando a porta com cuidado. Fiquei sozinha.

Contei tudo. Sem enfeite, sem minimizar — que tinha transado pela primeira vez sem camisinha, que o Diego tinha me levado pra tomar a pílula do dia seguinte na mesma hora, mas que eu estava morrendo de medo de ter engravidado mesmo assim, e que precisava começar a tomar alguma coisa pra não passar por isso de novo.

Ela ouviu em silêncio, anotando. Depois perguntou se eu conhecia os métodos contraceptivos.

— Qual o mais indicado pra mim? — perguntei, ansiosa.

Ela explicou que, pela minha idade, a pílula de baixa dosagem costumava ser a opção mais simples. O DIU também era possível, inclusive o de cobre, mas ela preferia começar com a pílula. O DIU exigia procedimento e, no meu caso, autorização dos meus pais. Já a pílula, não — eu tinha total direito de cuidar da minha saúde sozinha.

Falou também dos benefícios. Além de evitar gravidez, a pílula costumava deixar a menstruação mais fraca e diminuir a cólica, muita menina sentia diferença já no segundo ou terceiro ciclo. Mas avisou dos efeitos iniciais: podia dar náusea, sensibilidade no peito e spotting — um sangramento de vez em quando fora da menstruação, umas gotinhas ou um corrimento meio rosa, meio marrom. Disse pra eu não me assustar, que era normal no começo e costumava passar em dois ou três meses.

Mediu minha pressão, perguntou se alguém na família tinha tido trombose ou problema de coração. Como era a primeira consulta, ia pedir uns exames de rotina, mas eu podia começar a pílula ainda hoje, sem esperar resultado. Só reforçou que nos primeiros sete dias eu ainda precisava usar camisinha se fosse transar de novo.

Foi aí que ela ficou enfática pra caralho na dupla proteção:

— A pílula protege da gravidez se você tomar direitinho, mas não protege de IST. Se o menino não quiser usar camisinha, não rola. Seu corpo, sua regra. Leva camisinha na bolsa, negocia antes, e se ele recusar, vaza. Não vale o risco de HIV, HPV, clamídia... essas coisas podem te deixar infértil depois. Você é nova, tem tempo, mas precisa ser responsável com você mesma.

Ela já me deu a receita e o pedido de exames. Passou as dicas práticas — tomar sempre no mesmo horário, colocar alarme no celular pra não esquecer. Perguntou se eu tinha mais alguma dúvida. Só sacudi a cabeça.

Quando saí da sala, minha irmã estava esperando no corredor.

— E aí?

Mostrei a receita e o papel dos exames dobrados na mão.

Ela não disse nada. Só falou que ia comigo até a farmácia.

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