Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Olhei pro relógio e vi que o dia tinha passado voando. Ainda faltava um cliente, o último da terça, e como sempre seria no motel aqui pertinho de casa. Eu sempre atendo no mesmo lugar, e nem é por falta de criatividade. O motel é bonitinho, fácil de chegar, bem na avenida principal e os recepcionistas já me conhecem. Juntar os atendimentos num lugar só é pura logística, e puta organizada é puta que ganha dinheiro, anota aí.
Quando tem atendimento, eu peço pro cliente confirmar uma hora antes de eu sair de casa, porque homem fura muito, muito mais do que vocês imaginam. O cara passa a tarde inteira dizendo que tá doido pra me foder, que não vê a hora, e quando chega o momento, às vezes avisa em cima da hora: “surgiu um imprevisto”. Os motivos são dos mais variados, mas isso é conversa pra outro dia. Então eu chego uns minutinhos antes, retoco o batom no retrovisor e fico esperando ele me passar o número da suíte e liberar minha entrada na recepção.
Quando abri a porta, ele já estava de pé no meio do quarto, parado, como se tivesse passado o tempo todo ali me esperando na mesma posição. Alto, uns quarenta anos, bonito de um jeito charmoso, imponente sem precisar fazer força nenhuma, olhos castanhos e um olhar calmo demais, daquele tipo que não pisca quando encontra o seu. Bem alinhado, cheiroso de longe, um perfume amadeirado que tomava o quarto inteiro.
Ele vestia um terno preto, camisa branca sem gravata, o botão de cima aberto mostrando um pedaço do peito. Ele estendeu a mão pra me cumprimentar sem nenhuma pressa, e o punho da camisa subiu o suficiente pra mostrar o relógio, um Patek Philippe de pulseira de couro, discreto daquele jeito que só gente muito rica consegue ser. Eu conheço o tipo de cliente pelo relógio, e aquele ali valia uma pequena fortuna. Segurei a mão dele, quente e firme, e fiquei quietinha sentindo o olhar dele me devorar.
Esse cliente tinha cara de homem de negócios e se comportava como um. Não perdeu tempo com conversinha, foi logo colocando as cartas na mesa e dizendo o que queria. Explicou, com a maior tranquilidade do mundo, como quem fala do tempo, que gostava de maltratar as meninas, que curtia sexo bruto, sem frescura. Fiz umas perguntas rápidas pra entender direitinho até onde ia aquilo, mas confesso que a resposta já estava pronta, porque por regra eu sempre nego, sabe? Questão de segurança. Só que tinha alguma coisa nele que me desmontou inteira.
— Poxa, você devia ter combinado isso comigo antes, não aqui, na hora.
Vou repetir uma coisa que vocês já sabem: eu adoro uma foda mais brutal, daquelas de sair com a marca dos dedos na bunda. O problema é que não dá pra fazer isso com qualquer um, muito menos com um desconhecido que eu acabei de ver pela primeira vez. Mas aquele homem tinha um mistério, sei lá, um negócio no jeito dele que estava me deixando molhada ali mesmo, de pé, ainda de roupa. E foi só por isso que eu continuei a conversa em vez de soltar o meu habitual: nem fodendo.
Ele deu de ombros, com aquele meio sorriso no canto da boca.
— Porque eu gosto de sentir a garota primeiro, olho no olho. E também pra ela não recusar antes de me conhecer. Prefiro ver na hora se ela topa ou não.
— Sei. Você gosta de deixar as pessoas sem opção, né?
Levei na brincadeira, num clima leve, esperando uma brecha da parte dele pra gente começar logo, mas ele continuava ali, fechado, sério, negociando como se estivesse numa reunião de diretoria.
— Vou te fazer uma proposta irrecusável.
— Irrecusável? Hummm, agora você me deixou curiosa.
— O dobro do combinado. — Ele falou seco, direto, com os olhos cravados no meu.
E aqui eu vou dizer uma coisa que mexe muito comigo. Eu gosto de dinheiro, claro, ninguém trabalha de graça, mas pra mim quem manda é o jogo. É o jogo que me dá tesão, muito mais do que o valor que cai na conta, e aquele filho da puta sabia jogar.
— Tá. Mas se eu mandar parar, você para?
— Imediatamente. A gente pode até combinar uma palavra de segurança, se você quiser.
Ele tirou o paletó sem pressa nenhuma, dobrou uma vez no braço e jogou na cadeira, como quem tem todo o tempo do mundo. Sem o terno, a camisa branca ficou colada no peito largo, marcando os ombros, e dava pra ver o volume dos braços esticando o tecido nas mangas. Eu continuava de pé, perto da cama, quando ele deu um passo na minha direção, enfiou a mão na minha nuca, fechou os dedos no meu cabelo e puxou. Não foi forte, foi só o suficiente pra minha cabeça inclinar pra trás e eu entender, no couro cabeludo esticado e no pescoço exposto, quem estava mandando ali. O cheiro dele me envolveu inteira, amadeirado, quente, e eu senti o corpo inteiro reagir só com aquilo. Eu já estava pegando fogo, e aquele tesão que tinha falado mais alto na negociação agora escorria de verdade, eu sentia a bucetinha pulsando e molhando a calcinha por dentro.
— Tira a roupa — ele falou baixo, com a boca encostada na minha orelha, o hálito quente arrepiando meu pescoço inteiro.
Eu tirei. Devagar, mas sem enrolação, eu queria e sabia que ele estava olhando cada detalhe. Abri o zíper do vestido nas costas, deixei ele escorregar pelos ombros e cair no chão em volta dos meus pés, depois soltei o sutiã e senti o ar gelado do quarto bater nos bicos dos peitos, que endureceram na hora. Quando fiquei só de fio dental, ele me pegou pela cintura, me virou de costas e me empurrou contra a parede. A tinta fria encostou nos meus peitos e na minha barriga e me fez soltar o ar de uma vez. O primeiro tapa veio na bunda, estalado, ecoando no quarto. Não doeu tanto quanto eu imaginava, mas o choque subiu pela minha espinha feito corrente elétrica e me fez ofegar, e logo depois veio o calor, aquela ardência se espalhando pela pele onde a mão dele tinha estado. Ouvi ele rir baixo atrás de mim.