Carol e Murilo seguiram de mãos dadas por um lado, e eu e Diego fomos na direção contrária, rumo ao píer. A rua estava fervendo. Gente rindo, se esbarrando, música alta vindo de todos os lados. Em cada bar que passávamos, tinha uma galera jovem bebendo do lado de fora, curtindo, zoando alto.
Caminhamos lado a lado, e eu tentava parecer calma, mas meu coração batia a mil. De vez em quando nossos braços se roçavam de leve, e um arrepio doce percorria minha pele. A brisa do mar acariciava meu rosto, fresca e salgada… mas dentro de mim crescia um calor diferente, suave e insistente. Um calor gostoso. Um misto de nervosismo e desejo.
Quando chegamos na orla, avistei um carrinho de pipoca. Na hora meus olhos brilharam — óbvio que eu queria! Falei animada, quase como uma criança:
— Pipoca! Ai, eu quero!
Diego riu e foi comigo até o carrinho. Fiz meu pedido clássico:
— Misturada, tá? Salgada embaixo e doce em cima. E capricha no leite condensado, por favor.
Ele me olhou com uma cara divertida e um tanto curiosa, e perguntou:
— Você adora um leitinho condensado, né, Rafa? — perguntou Diego querendo me zoar.
— Claro Diego, é uma delícia! — E eu juro que respondi na inocência.
Diego se virou pro pipoqueiro e soltou, com aquele ar de superioridade dele:
— A minha é tradicional. Toda salgada. Sem frescura.
Revirei os olhos, rindo por dentro. Típico.
Pegamos as pipocas e começamos a andar devagar pelo píer. Tinha bastante gente por ali — uns indo, outros voltando, e casais encostados na mureta. A brisa do mar batia leve no meu rosto, o barulho das ondas lá embaixo era quase um sussurro, e as luzes refletidas na água davam um brilho meio mágico pra tudo.
Não sei se era o efeito da caipivodka, a lua cheia ou o Diego andando ao meu lado... mas aquele momento parecia cena de filme. Daquelas que a gente assiste suspirando e pensando “por que minha vida não é assim?”. Pois é. Naquela noite, por alguns segundos, parecia que era.
Chegamos até o final do píer e paramos ali na mureta, olhando o mar em silêncio. Ele pegou um punhado da minha pipoca e fez careta.
— Ok, admito. Isso aqui é bom mesmo.
— Eu avisei, né? — falei, rindo e dei um empurrãozinho de leve no braço dele.
A gente riu. E, por um instante, parecia que não existia mais nada além daquilo.
Eu só conseguia pensar no quanto ele estava diferente aquela noite. O Diego de sempre — marrento, debochado, cheio de si — parecia mais leve, mais presente. Ali, dividindo pipoca doce comigo e elogiando a paisagem, ele quase parecia romântico. E o jeito como ele me olhava… meu Deus. Era um olhar demorado, quente, que fazia meu estômago dar voltas e o coração apertar de um jeito gostoso e perigoso.
A brisa soprava suave entre nós, o mar brilhava lá embaixo com as luzes da orla, e por alguns instantes o mundo pareceu sumir. Eu queria tanto que ele me puxasse para perto, que diminuísse essa distância curta que ainda existia. Queria sentir a boca dele na minha, descobrir se aquele clima todo era só coisa da minha cabeça ou se ele também estava sentindo a mesma coisa.
Mas aí a realidade veio como um balde de água fria: ele tinha namorada. E, pelo que eu sabia, ele gostava de verdade dela. Eu nunca tinha visto o Diego dar em cima de ninguém, mal olhava as mulheres que passavam na rua. Pelo menos não na minha frente. Por mais que a Carol insistisse que ele era galinha e traía a namorada horrores, naquela noite ele estava parecendo fielzinho demais… fiel até demais pro meu gosto.
Infelizmente, Carol estava errada.