Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
8h
Oi Diário!
Acordei acelerada, mega animada e doida pra curtir a praia e, principalmente, estrear o biquíni novo de lacinho vermelho que eu tinha escolhido a dedo só pra causar.
Chamei a Carol pro meu quarto, segurando dois modelos na mão, mas eu já sabia muito bem qual eu ia escolher.
— Prima, qual você acha que fica melhor? Qual vai causar mais? — perguntei, mordendo o canto da boca.
Ela me olhou séria, quase preocupada, como se conseguisse ler exatamente o que eu estava tramando.
— Se você quer mesmo chamar a atenção dele, esse vermelho é perfeito. Mas prima… cuidado, tá? O Diego é muito safado e só pensa com a cabeça de baixo. Sério, vai com calma… Não quero te ver sofrendo depois.
Mesmo com o aviso dela ecoando como um mau pressentimento, meu corpo não obedecia. Eu queria provocar. Queria sentir aquele olhar faminto dele deslizando pela minha pele. Queria descobrir até onde esse jogo proibido podia chegar… antes que a gente se perdesse de vez.
Vesti o biquíni vermelho, dei um laço caprichado em cada lateral e fui me olhar no espelho. Puta merda… adorei o que vi. A parte de baixo fazia tipo um “V” bem marcado, cavado na medida certa, deixando meu bumbum ainda mais empinado. A parte de cima apertava meus seios, marcando os bicos de um jeito que deixava pouco para a imaginação.
Girei devagar: de frente, de lado, de costas. O lacinho vermelho balançava leve a cada movimento, roçando minha pele e realçando a curva da bundinha.
Um calorzinho subiu pela minha barriga. Mordi o lábio inferior, sorrindo pro reflexo. Já não via mais aquela menina insegura de antes. Meu corpo estava mudando, ganhando formas, e pela primeira vez eu me sentia realmente sexy.
— É isso — murmurei, satisfeita. — Tô pronta pra arrasar na praia.
9h
Caminhamos até a praia de Geribá com o sol já queimando forte num céu azulzão, sem uma única nuvem. O ar estava quente, abafado, aquele típico calorzinho gostoso de Búzios. Quando tirei o shortinho e fiquei só de biquíni, senti vários olhares me acompanhando, me comendo com os olhos. Mas teve um em especial… um olhar intenso, faminto, que atravessou meu corpo inteiro e fez meu coração disparar feito louco.
O olhar do Diego.
Ele me olhou. E não foi um olhar qualquer. Foi uma secada descarada, lenta e sem vergonha nenhuma, como se estivesse me despindo peça por peça com os olhos. Ele me comeu inteira ali, sem pressa, sem disfarçar, devorando cada curva do meu corpo com uma fome que eu conseguia sentir na pele.
— Caralho, Rafa, você tá um tesão nesse biquíni — ele disse, com a voz mais baixa, como se não quisesse que os outros ouvissem.
Fiquei sem reação. De verdade. Corei na hora, mas por dentro… bateu aquela satisfação, por que eu percebi que meu plano estava funcionando. E ele não parava por aí: peguei o protetor solar, virei de costas pra ele e entreguei o frasco por cima do ombro, tentando parecer casual:
— Diego, pode passar nas minhas costas? Senão vou torrar inteira.
Ele hesitou só um segundo. Depois pegou o frasco, e senti suas mãos grandes e quentes tocarem minha pele. Começou pelos ombros, descendo devagar pela coluna, espalhando o creme com movimentos firmes e lentos. Cada passada da mão dele me arrepiava de um jeito muito louco. Quando chegou na curva da cintura, os dedos roçaram de leve na lateral dos meus seios e eu segurei a respiração. Ele demorou mais do que precisava, massageando a pele como se estivesse aproveitando cada centímetro.
— Pronto… — murmurou de um jeito malicioso, perto da minha orelha. — Agora tá protegida... do sol.
Meu corpo inteiro estava quente, e não era só do sol.
Depois fomos pra água. Ele se aproximou por trás enquanto eu pulava as ondas e, pela primeira vez, senti seu corpo colado no meu de verdade. Peito nas minhas costas, quadril encostando na minha bunda, as pernas roçando nas minhas. Meu coração disparou tão forte que quase saiu pela boca. O calor do corpo dele misturado com a água fria me deixou zonza.
Quando me virei, nossos rostos ficaram tão perto que quase encostaram. Senti até o calor da respiração dele na minha pele molhada. Por um instante, achei que ele ia me beijar ali mesmo, na frente de todo mundo.
Mas… não rolou.
Ele só sorriu, disse algo bobo e se afastou. E foi só isso. Por mais que eu quisesse muito que tivesse acontecido algo a mais, no fundo eu sabia que estava sendo idiota de criar tanta expectativa.
Os dias seguintes em Búzios foram um sonho daqueles que a gente não quer acordar. Diego e eu ficamos cada vez mais próximos. Conversávamos, ríamos de qualquer bobagem e ele começou a mostrar um lado mais doce, gentil e carinhoso. Quando queria, ele realmente sabia ser incrível.
Na minha cabeça de adolescente apaixonada, estava mais do que claro: ele estava com a namorada errada. Cada olhar demorado, cada sorriso cúmplice, cada toque “sem querer” me faziam ter certeza de que nós dois éramos feitos um para o outro. Que o universo conspirava para nos juntar.
Mas, bem no fundo do peito, uma vozinha insistente sussurrava que eu ainda era nova demais para entender que o desejo não costuma escutar a razão… e que o mar de Búzios guardava juras tão lindas quanto perigosas.