Ele deu um passo mais perto, ignorando completamente o casal que esperava na porta. O cheiro dele me envolveu por completo: perfume importado misturado com aquele cheiro de homem que sempre me deixava zonza.
— Sem graça? Você? — Ele soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. Seus olhos ainda passeavam por mim, quase me devorando. — Porra, se tu não fosse minha prima...
Antes que eu pudesse responder, ele virou o rosto para Carol e Murilo:
— Mudei de ideia. Pensando bem, vou com vocês pra Rua das Pedras.
Carol ergueu a sobrancelha, surpresa. Murilo deu um sorrisinho sacana, mas não disse nada. Diego, porém, virou-se totalmente para mim, como se só eu existisse ali.
— Posso te fazer companhia, Rafa? — perguntou, a voz mais baixa, quase íntima.
Fiquei travada, sem reação por alguns segundos. Aquele Diego... o mesmo que vivia nas baladas, que nunca perdia uma festa e sempre tinha um monte de garotas atrás dele... estava abrindo mão da Privilège pra ficar comigo?
Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que ele conseguia ouvir. Senti um calor subir pelo peito, uma mistura de vergonha, alegria e um desejo proibido que eu nem deveria sentir por ele.
— Pode... — respondi, quase sem voz, mas com um sorriso tímido que não consegui conter. — Eu... eu adoraria.
Ele sorriu daquele jeito que fazia minhas pernas ficarem moles. Estendeu a mão e, quando segurei seus dedos, um arrepio subiu pelo meu braço inteiro. O toque dele era quente, firme... e demorou um segundo a mais do que deveria pra soltar.
Chegamos na Rua das Pedras e a noite estava exatamente como eu amo: agitada, cheia de gente, música saindo de todos os bares.
Depois de rodar um pouco, entramos na minha creperia favorita. O lugar estava lotado, como sempre no Carnaval, mas conseguimos uma mesinha mais ao fundo, próximo ao telão, onde passava um clipe da Rihanna. A batida grave da música pulsava forte, combinando perfeitamente com o que eu sentia por dentro.
Diego puxou a cadeira pra mim. Quando sentei, a saia subiu um pouco nas coxas e eu vi ele acompanhar o movimento com o olhar. Ele se acomodou bem do meu lado, tão perto que nossas pernas se encostavam por baixo da mesa. Carol e Murilo sentaram à nossa frente, já perdidos no mundo deles, trocando beijos e risinhos.
Diego pegou o cardápio e perguntou o que eu queria beber. Escolhi uma caipivodka de morango, Carol pediu seu Blue Lagoon de sempre e os meninos pediram vodka com energético.
Estávamos rindo e conversando descontraidamente, quando percebi dois caras na mesa ao lado me encarando sem o menor disfarce. Até o Diego percebeu.
— Eles não param de olhar pra você — murmurou baixinho.
Eu dei de ombros, fingindo desinteresse, mas por dentro estava toda boba, me sentindo linda, poderosa e desejada.
— Ah, devem estar olhando pra Carol — respondi, com um sorrisinho.
Ele soltou uma risadinha e me olhou direto nos olhos, sério:
— Não, Rafa. Eles estão olhando pra você. — Fez uma pausa, a voz um pouco mais baixa. — Já te falei que você é linda, né?
Senti o rosto queimar. Devo ter ficado vermelha feito pimentão, mas sustentei o olhar dele sem desviar:
— Já… — respondi baixinho, mordendo o lábio inferior. Tomei fôlego, criei coragem e continuei, encarando ele: — Mas pode falar de novo… eu gosto de ouvir.
Diego sorriu daquele jeito que desarma qualquer uma. A gente já tinha bebido um pouco, o que deixava ele mais solto. Ele se inclinou um pouco mais pra perto, o joelho pressionando o meu por baixo da mesa, e falou olhando bem no fundo dos meus olhos:
— Você fica ainda mais linda assim… corada e sorrindo desse jeito.
Senti um frio na barriga. Meu rosto queimava ainda mais, mas eu não conseguia parar de sorrir.
— Para, Diego... — murmurei, quase sem força, a voz saindo manhosa.
— Só estou sendo sincero — disse ele, dando um gole lento, ainda com os olhos cravados em mim.
— Mentiroso! — Respondi nervosa, a primeira coisa que me veio à cabeça.
Virei para o telão e fingi interesse no show da Rihanna. Eu sabia que se olhasse pra ele de novo ia sorrir feito uma idiota completa: aquele sorriso bobo, nervoso, molhado de desejo e impossível de esconder. Era como tentar parecer plena enquanto um terremoto de ansiedade e tesão ameaçava me derrubar.
O Diego não parava de me olhar. Cada vez que nossos olhos se encontravam, ele sorria daquele jeito perigoso, que fazia meu estômago dar cambalhotas e o calor subir pelo meu corpo inteiro, misturando vergonha com excitação.
Fiquei presa naquele olhar, imaginando mil coisas proibidas... até a garçonete aparecer com os crepes que me deixaram com água na boca só de olhar. O aroma doce e salgado me puxou de volta pra realidade. Respirei fundo, sorri e me forcei a prestar atenção na comida por alguns minutos.
Pedi mais uma caipivodka de morango, torcendo pra que o álcool aliviasse um pouco aquela tensão louca no peito. Os crepes estavam quentinhos e irresistíveis, e por um tempinho consegui me distrair comendo, brincando com a massa macia entre os dedos.
Quando terminamos, o Diego chamou o garçom, pagou a conta toda sem deixar ninguém discutir e virou pra mim com aqueles olhos cor de avelã que me hipnotizavam.
— Tipo... tu tá a fim de dar uma volta?
Meu coração deu um salto mortal carpado. Fiquei sem ar por um segundo, engoli seco, tentei parecer casual e respondi:
— Bora. Partiu!
Assim que saímos do bar, a Carol se virou pro irmão e falou alto o suficiente pra eu ouvir:
— Cuida bem da Rafa, hein? — Ela deixou o sorriso morrer no rosto ficando mais série e soltou uma ameaça leve: — Ou vai se ver comigo.
Depois olhou pra mim, mexeu os lábios falando “juízo” e deu uma piscadinha.
Revirei os olhos e ri, sentindo um friozinho na barriga. Juízo era a última coisa que eu queria ter naquela noite. Por mim, eu me perderia com ele.