18h
Chamei a Carol pra dar uma voltinha pela Rua das Pedras. É uma rua muito charmosa no centro, toda de paralelepípedos, cheia de lojinhas legais, restaurantes e bares que ficam lotados à noite. É tipo o point da cidade, onde todo mundo acaba se encontrando.
Ela foi com o namorado, e aí o Diego, megafofo, se ofereceu pra me acompanhar. Nossa... fiquei toda boba, com o coração explodindo de alegria.
Passamos em frente a uma lojinha de moda praia e me deu uma vontade louca: precisava de um biquíni novo. Sempre usei modelos mais comportados, mas aí acabei curtindo o biquíni de lacinho vermelho da Carol — com tanguinha cavada, deixando o bumbum quase todo à mostra. Senti um friozinho na barriga só de imaginar como ficaria em mim.
Por que não, né?
Entrei na loja com a Carol e acabei comprando três novos biquínis, todos de lacinho: um vermelho, que achei bem mais ousado e chamativo; um rosa claro, super delicado; e um pretinho básico. Eu sei, eu sei, já tenho vários biquínis pretos, mas é que adoro usar preto. E vamos combinar, pretinho básico nunca sai de moda!
A Carol, vendo minha empolgação, até brincou:
— Prima, você vai ficar um arraso nesses biquínis. O Diego vai surtar quando te ver!
Na real, biquíni novo era só desculpinha. Eu queria que ele me desejasse. Queria ver ele perdendo a linha quando me visse com aquele biquíni vermelho.
Fiquei até imaginando a cena toda: eu saindo da água devagar, biquíni molhado marcando os bicos dos seios e a bundinha, gotas escorrendo pela barriga, cabelo molhado caindo nas costas e o vento soprando… e o Diego parado na areia, completamente imóvel, como se tivesse esquecido de respirar. Seus olhos descendo bem devagar pelo meu corpo, devorando cada detalhe. Depois de alguns segundos em silêncio, ele solta: "Caralho, Rafa… você tá linda demais. Me deu uma vontade insana de te agarrar aqui mesmo e te beijar toda..."
Dei uma risadinha sozinha só de imaginar. Meu rosto até esquentou na hora. Esse joguinho de sedução era novidade pra mim… mas eu estava começando a gostar. E gostando muito.
Depois das comprinhas, bateu aquela vontade irresistível de tomar um de sorvete. Fomos os quatro caminhando até o píer, rindo e conversando bobagens. Essa é uma das lembranças que guardo com muita nitidez até hoje: nós quatro no píer, curtindo aquela vista deslumbrante do mar de Búzios. Foi um daqueles momentos mágicos, daqueles que eu queria poder emoldurar e colocar na parede do meu quarto.
Mas enquanto lambia meu sorvete, vi a Carol e o Murilo abraçadinhos, trocando beijos lentos e carinhosos, completamente perdidos um no outro. E ali, no meio daquela cena tão doce, senti um vazio enorme dentro de mim. Eu também queria aquilo. Queria o Diego me puxando pela cintura, me encostando na mureta e me dando um beijo daqueles, de língua, daqueles que a gente vê nos filmes.
Fiquei ali, o sorvete derretendo na minha mão e escorrendo pelos dedos, sonhando acordada enquanto o vento bagunçava meu cabelo.
22h30
Meu irmão decidiu ir pra boate Privilège com a namorada. Era a melhor balada de Búzios, especialmente no Carnaval: com DJs famosos e gente bonita pra todo lado. Minha irmã não perdeu a oportunidade e quis ir junto. A Isa, mesmo com seus 17 anos, tinha certeza absoluta de que conseguiria entrar.
Fiz aquela produção toda, como se também fosse pra Privilège com eles. Escolhi um vestidinho preto justo no corpo, com saia godê bem rodadinha que balançava leve e sensual a cada passo. Completei o look com uma botinha preta de salto e caprichei na maquiagem. Tudo pra disfarçar a carinha de adolescente.
Dei uma voltinha suave em frente ao espelho, me observando de todos os ângulos. De lado, de frente, girando devagar para sentir a saia rodando ao meu redor e uma deliciosa satisfação ao ver como aquele vestidinho me deixava mais mulher.
— Ê, se não pedirem identidade, até eu entro na Privilège hoje!
Porém, eu tinha combinado com a Carol de ir pra Rua das Pedras. Ela, claro, grudada com o namorado. E eu… já conformada em ir pro rolê segurando vela, assistindo os dois pombinhos o tempo todo. Não era algo que me incomodava, o namorado dela era bastante legal comigo. Sair com eles sempre era bem divertido.
Ai, eu amo a vibe da Rua das Pedras à noite. O lugar tem uma energia única, quase mágica: lojinhas charmosas, bares cheios de vida, a brisa do mar se misturando com a música que vem de todos os lados. E no Carnaval então… a rua ficava lotada, virava uma verdadeira passarela. Sem exagero nenhum, parecia desfile de moda. Um mar de corpos lindos, garotas estilosas desfilando de salto alto por aquele calçamento irregular de pedras, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Quando a Carol e o Murilo desceram, eu já estava pronta. Foi nesse exato momento que o Diego apareceu no topo da escada. Ele parou de repente, como se tivesse levado um soco. Seus olhos desceram devagar por mim — dos cabelos soltos até os saltos, demorando nos meus seios, na curva da cintura, nas pernas. Vi o brilho neles. Um brilho diferente, quase faminto. Algo que fez meu coração bater mais forte.
Ele desceu os últimos degraus sem tirar os olhos de mim. Passou a mão na nuca, claramente sem jeito, aquele Diego todo confiante de repente parecendo um menino pego no flagra.
— Caralho, Rafa... — murmurou, a voz mais rouca que o normal. — Que isso, princesa? Tá muito gata.
— Ahhhh, obrigada! — Respondi, sentindo o rosto queimar. E dei uma voltinha pra ele ver o efeito da saia rodar e subir levemente, mostrando um pouco mais das coxas.
— Tá... porra, tá linda pra caralho!
Eu mordi o lábio inferior, sem conseguir conter o sorriso bobo que teimava em aparecer. Meu estômago deu uma volta completa.
— Para, Diego... você tá me deixando sem graça — falei, a voz saindo manhosa.
Continua...