Quando voltei pra areia, ele estava sentado, me olhando. Sentei do lado dele e fiquei em silêncio, só contemplando o mar na nossa frente. Ali, naquela escuridão, eu sentia uma paz tão incrível. Ficaria horas ali, sentindo a água tocar meus pés. Sempre amei esse contato com a natureza.
Meu coração explodia de felicidade. O crush dos crushes estava ali, do meu lado. Olhei pro céu e agradeci baixinho. E fiz meu pedido às estrelas: que o Diego fosse meu namorado.
Olhei pra ele e lá estava: mexendo no celular de novo. Não me aguentei e perguntei:
— É com a namorada que você tá falando?
— Sim, é a Lari. Ela preferiu viajar com os pais, sabe como é.
— Tá, mas por que você não foi com ela? — perguntei, sem esconder minha curiosidade.
— Ah, Rafa, eu chamei ela pra cá, prefiro Búzios. Mas ela quis ir pra Angra com os pais. Ela queria muito que eu fosse, mas... sei lá, a casa é dos pais dela e eu não me sinto muito à vontade lá. Mas sabe, de vez em quando é até bom ficar sozinho. A gente respeita o espaço um do outro.
Sério, na hora eu pensei: "Caraca, se ele fosse meu namorado, com certeza ia querer ficar o tempo todo com ele".
Aí ele virou o jogo:
— E você, Rafa? Tá namorando? Ficando?
— Nem! Nem namorado nem ficando.
— Fala sério, Rafa! Você é linda. Deve ter um monte de cara a fim de você.
Meu coração quase fugiu pela boca. "É sério que ele me acha linda?" Meu Deus!
— Ah, sei lá, Diego. Nem é tanto assim — soltei uma risadinha tímida.
— Que isso, Rafa, olha pra mim — ele disse, e quando nossos olhos se encontraram, meu coração veio na boca.
— Você sabe que é linda. Te acho até mais gata que a Isabella, acredita?
Oh, meu Deus! Mais gata que a Isa? Quase desmaiei ali mesmo.
Na hora, senti meu rosto queimar. O coração disparou, e eu nem sabia o que dizer. Fiquei ali, sem reação… e ao mesmo tempo querendo ouvir aquilo de novo.
— Ah, fala sério, Diego! A Isabella é incrivelmente linda.
— Não tô brincando. Eu realmente acho você mais bonita que ela.
Ele fez uma pausa e disse:
— Posso te contar um segredo?
— Claro! — respondi, já morrendo de ansiedade... o que será que ele ia contar?
— É que eu já fui muito a fim da Isabella.
Nossa, fiquei até sem saber o que dizer. Não esperava por isso. Mas também... todo mundo sempre foi a fim da Isa. Minha irmã é perfeita.
Ele percebeu minha cara de choque:
— Isso te surpreende? — e soltou uma risada.
— Mas foi há muito tempo. Eu era mais novo, e ela... quase da sua idade.
— Sério???? — Olhei pra ele, surpresa.
— E ela? — perguntei.
— Ah, ela nem deu condição. Mas nem sei por que te contei isso.
Fiquei olhando pro mar, tentando digerir aquilo.
— Engraçado, né? É a primeira vez que a gente conversa — comentei, após alguns minutos de silêncio.
Eu vivia na casa dele, mas normalmente só trocávamos cumprimentos. A verdade é que eu ficava completamente sem jeito perto dele.
— Ah, Rafa... você tá sempre com a Carol — ele respondeu. E era verdade. Mas ele também vivia grudado com a namorada ou os amigos.
— Vamos caminhar um pouco? — sugeri.
Ele topou. Levantamos e começamos a andar pela areia.
A cada passo na areia, parecia que meu coração dava umas batidinhas a mais — igual quando a gente despenca numa montanha-russa. Era uma mistura de nervoso com uma vontade absurda de ficar mais perto dele. E, enquanto a gente caminhava, nossas mãos às vezes se esbarravam… e cada vez que isso acontecia, eu sentia tipo um choque subir pelo meu braço.
Uma eletricidade tão forte pela ponta dos meus dedos que pareceu subir pelo braço inteiro, atravessar o peito e descer até a ponta dos pés. Eu nunca tinha sentido aquilo com ninguém. Nunca. Meu corpo inteiro reagiu como se tivesse levado um choque gostoso e assustador ao mesmo tempo.
Eu fingi normalidade. Continuei andando, mas por dentro estava um caos.
— Essas casas são incríveis, né? Imagina só acordar e dar de cara com o mar — comentei, admirando as construções, literalmente à beira da praia. Falei isso só porque ele cursava engenharia. Então, foi a primeira coisa que veio pra puxar assunto.
Diego parou um instante e olhou em volta.
— Deve ser incrível mesmo. Você abre o portão e já tá com o pé na areia... Eu adoraria morar num lugar assim.
— Sim, eu também — respondi, mas por dentro eu só pensava: "Deve ser mesmo incrível acordar com você do meu lado, ouvindo o barulho das ondas..."
Fechei os olhos por um segundo e visualizei a cena. Aquilo sim seria o futuro perfeito.
Continuamos caminhando e falando das casas por um tempo, tentando decidir qual era a mais bonita. Algumas tinham iluminação na área externa, mas não dava pra ver muitos detalhes. Estava escuro de verdade, breu mesmo. A praia ali não tinha iluminação pública, então a única luz vinha da lua, que brilhava lá em cima e refletia no mar, deixando tudo com um clima meio mágico, tipo cena de filme romântico, sabe? Faltava só a trilha sonora tocando ao fundo.
Quando percebemos, já estávamos quase no outro lado da praia de Geribá. Corri até o mar, molhei os pés e voltamos andando pela beira.
— Sabe, Rafa… eu curti muito a nossa conversa — ele disse, enquanto voltávamos. — Prometo que vou me aproximar mais de você.
— Eu também gostei muito, Diego — respondi, com o coração acelerado. — Vai ser ótimo passarmos mais tempo juntos.
Fiquei toda empolgada com aquilo. Sério, parecia que o coração ia sair pela boca. Ele prometeu se aproximar mais... e eu fiquei ali, viajando nas possibilidades, imaginando mil cenas, desde conversas no sofá até beijos roubados à beira da piscina.