Sábado, 14 de fevereiro de 2015
19h
Todo mundo tinha ido à praia durante o dia e agora estavam todos em seus quartos. Como eu não estava a fim de ficar no quarto sozinha, bateu a ideia de descer até a piscina. Eu simplesmente amo banho de piscina à noite! Escolhi um biquíni todo preto e vesti um shortinho por cima. Vai saber, né? De repente bate aquela vontade de dar uma voltinha na praia.
Fiquei ali deitada, olhando pro céu e sentindo a brisa gostosa da noite. Eu sempre amei observar as estrelas, e naquela noite o céu estava especialmente lindo, limpinho, sem nuvem nenhuma. Dava pra ver cada pontinho brilhando lá em cima. Fechei os olhos por um instante, só pra sentir aquela paz...
Do nada, abro os olhos e quem tá na minha frente?
O Diego.
Tipo um deus grego. De short e sem camisa, exibindo aquele corpo sarado, todo definido. Tipo, sério... como ele consegue ser tão perfeito?? Meu primo era, sem exagero, o cara mais lindo que eu conhecia. Com 18 anos, loiro, cabelos lisos sempre bagunçados. Ele costumava bagunçar o cabelo com as mãos, e eu sempre amei esse estilo despojado e descontraído.
Ele segurava uma long neck de Stella Artois, balançando a cabeça no ritmo da música.
E então, ele me olhou com aqueles olhos cor de avelã — intensos, quase hipnóticos. Assim que nossos olhares se encontraram, ele me deu um sorriso… daquele que faz o coração da gente tropeçar no peito. O meu, então, pulou lá dentro da piscina.
Sério, toda vez que eu via ele na minha frente, meu coração começava a bater feito doido e meu estômago se enchia de borboletas. O que me deixava mais encantada nem era só o rosto lindo ou o tanquinho dele, mas aquele charme absurdo, sabe? Tipo... ele me hipnotizava só com um olhar.
— Nickelback! — disse ele, reconhecendo a banda.
— Sim, adoro Nickelback. Legal que você conhece.
— É claro que conheço, sou do rock — e tomou mais um gole de cerveja.
Eu sabia que ele curtia mais heavy metal. Mas comentei que nessa playlist também tinha punk rock, tipo Green Day, Simple Plan, The Offspring… e até um som mais pesado como Avenged Sevenfold.
— Carol veio com o namorado e te deixou na pista, né? — ele brincou.
— É, mas tô de boa — respondi, tentando parecer natural. A verdade é que eu ficava completamente sem jeito perto dele.
Ele foi até a cervejeira e perguntou se eu queria alguma bebida.
— Ah, pega uma ice! — pedi. Cerveja nunca foi muito minha praia, mas curtia vodka com sabor de limão.
Ele pegou outra cerveja, me trouxe a ice e brindamos, batendo as garrafinhas. Depois sentou na espreguiçadeira ao lado e ficou ali, quieto, olhando pra piscina. Depois, como quem não quer nada, pegou o celular e começou a mexer.
De vez em quando ele soltava um sorrisinho enquanto encarava a tela. Eu imaginei que ele estivesse conversando com a namorada, e fiquei meio irritada só de pensar nisso. Tive vontade de pular na piscina só pra ver se ele finalmente reparava em mim. Mas eu estava mais na vibe de sair dali, respirar outro ar... pensei em ir até a praia e caminhar um pouco na areia. Levantei e desliguei o notebook.
— Diego, se perguntarem por mim, diz que eu fui dar um rolê na praia.
— A essa hora, Rafa? — ele perguntou.
— Ah, nem é tarde... eu tô indo. Tá a fim de dar uma volta comigo ou vai ficar?
Ele olhou o celular, pensou… eu já esperava que ele fosse preferir ficar. Virei de costas e fui andando até o portão.
— Ei, espera aí, princesa — ele disse, olhando de novo pro celular. — Ok, eu... vou com você.
Nossa, meu coração deu uma pirueta. Primeiro porque ele me chamou de princesa. E segundo... porque, de verdade, eu não esperava que ele fosse topar.
Na real, ele me chamar assim nem era novidade. Já tinha acontecido antes. Era por causa dos meus nicks em games e nos bate-papos da época — tipo Uol, Skype. Eu sempre usava algo como RaFa_Princesinha ou Princesinha14. Era quase minha marca registrada. Sempre fui apaixonada por princesas, coroas, castelos… essas coisas meio de conto de fadas. E como todo mundo dizia que eu parecia uma Barbie, o “princesa” acabou pegando.
— Tu não acha perigoso ir à praia a essa hora? É tudo escuro — disse ele, enquanto se aproximava.
Dei de ombros e expliquei que sempre fazia isso quando estava em Búzios, mas nunca sozinha, sempre com a Carol. Nós curtíamos caminhar na areia, sentindo as ondas batendo nos pés e depois sentávamos pra apreciar o mar.
Lembrei de uma dessas vezes em que o mar estava tão agitado que parecia querer carregar todo mundo embora. A Carol, do jeitinho toda empolgada dela, estava tão feliz que parecia uma mistura de criança no parque com coelho saltitante. Estávamos caminhando ali na beira, mas cada vez que uma onda mais forte vinha, ela dava um gritinho e pulava como se estivesse pulando corda. Eu tentava manter a pose, mas bastava a espuma gelada subir na canela que eu já estava pulando igual uma desesperada também. No fim, saímos encharcadas, parecendo duas malucas, mas rindo até a barriga doer.
Caminhei com o Diego uns 300 metros até a entrada da praia. Era tipo um beco, com uma passagem estreita, meio sinistra, sem nenhuma iluminação. Assim que começamos a andar pela areia, senti minhas mãos ficarem meio suadas. Era ridículo, eu sei, mas só de estar tão perto dele eu me sentia toda estranha, com o coração batendo num ritmo muito doido.
Fomos até a beira do mar. Avisei que ia dar um mergulho e tirei o short, ficando só de biquíni.
Diego me alertou pra ter cuidado, pois o mar estava bem agitado. Mas eu nem liguei e já coloquei os pés na água. Nossa, como estava gelada! Mas entrei assim mesmo. Veio uma onda, virei de costas e pulei, mas ela me pegou com tudo. Molhou meu corpo inteiro. Fiquei ali por um tempo, pulando as ondas, sentindo a água bater em meu corpo. Era libertador.