Mas a real é que travessura nenhuma apaga o que ficou marcado em mim.
Não vou romantizar: sexo anal dói pra caralho no começo. É aquela ardência que queima fundo, que parece não ter fim, como se rasgasse por dentro devagar, centímetro por centímetro. O corpo demora pra aceitar aquele intruso grosso, pra relaxar os músculos que se contraem por instinto. Só depois, quando a dor começa a ceder um pouco, o prazer consegue se misturar, quente e lento, subindo pelas costas e fazendo tudo pulsar de um jeito diferente. Mas é aquela coisa: só tentando pra saber se você vai curtir ou não. Tem gente que nunca mais quer, tem gente que vicia na mistura.
Parecia que me rasgava por dentro — e mesmo assim, eu adoro lembrar desse dia.
Eu chorei, gemi, mordi o travesseiro até o tecido ficar úmido de saliva e lágrimas. As lágrimas se misturavam com os gemidos roucos que saíam sem controle. E, no meio de tudo, veio a sensação mais louca: não era só sobre a dor. Era sobre estar entregue, vulnerável, sem controle nenhum. Ser dominada por trás, sem ter escolha, o corpo preso embaixo dele, o peso dele me esmagando contra o colchão, foi justamente o que fez tudo se tornar absurdamente excitante. O coração batendo na garganta, a respiração curta, o suor escorrendo pela coluna, e mesmo assim o corpo respondendo, tremendo, querendo mais.
Lógico que naquela época eu não tinha essa noção, que ser dominada me excita tanto ao extremo! Isso eu só fui entendendo depois. Hoje eu sei: foi naquele dia que eu comecei a descobrir o meu lado mais sujo e proibido, aquele pedaço de mim que gosta de ser tomada, usada, marcada.
Acabei lembrando de duas meninas da minha turma que também faziam sexo anal com os namorados. Se não me engano, ambas eram da igreja. Como o sexo anal não rompe o hímen, era o jeito que elas encontravam de conciliar, de um lado, a pressão dos caras pra transar; de outro, a exigência social e familiar de “chegar virgem” ao casamento.
Só que, vamos combinar, virgindade não tem nada a ver com hímen. Mas lá estavam elas, se vendendo como puras, castas, intocadas, quando a realidade era bem outra.
Pura hipocrisia, fala sério, né?
No meu caso, era bem diferente. Eu já contei antes. Nunca tive esse lance de continuar virgem. O que me segurava era o medo… medo de me entregar de verdade a um cara que eu amava, mas que nem era meu namorado. E pra piorar: ele tinha namorada.
17h12
Fui direto pro quarto da Carol, o coração ainda batendo forte no peito, ecoando nas costelas como se quisesse sair. Precisava contar tudo, despejar cada detalhe antes que evaporasse da memória. Entrei, fechei a porta com um as pressas, me joguei na cama dela e respirei fundo, o ar saindo trêmulo e quente, carregado do cheiro do meu próprio suor misturado ao dele que ainda grudava na pele.
— Prima… você não tem noção do que acabou de acontecer — soltei de uma vez, a voz saindo rouca, entrecortada, o peito subindo e descendo rápido demais.
Ela largou o celular na mesma hora, os olhos arregalados, e se virou para mim.
— Meu Deus, Rafaella, fala logo! Tu tá tremendo inteira!
Carol se ajeitou na cama, puxou o travesseiro pro colo, inclinou o corpo pra frente, o olhar brilhando de curiosidade pura.
— Carol… eu fiquei com o Diego.
— Mentira! Como assim ficou? Ficou tipo beijo? Ficou tipo amasso? Ficou tipo… ficou??? — ela disparou, a voz subindo de tom, quase sem fôlego, as bochechas já corando de empolgação.
Eu esfreguei as mãos no rosto, rindo nervosa, me sentindo ainda quente do que tinha rolado.
O silêncio durou meio segundo.
Carol bateu o travesseiro no colo, desesperada:
— Pelo amor de Deus, Rafaella, conta logo!
— Tá… tá. Pera, eu vou contar. Mas… Carol… aconteceu tanta coisa. Eu tô até sem saber por onde começo.
— MEUS DEUS, Rafa, vocês transaram???? — ela quase gritou, se colocando de joelhos na cama, as mãos voando pra boca em seguida, os olhos arregalados de choque e deleite.
— Não! Quer dizer, quase... mas espera eu contar...
— Tá. A gente se beijou na piscina. E… Carol… foi… foi um negócio que eu nunca senti na vida.
Comecei a falar, as palavras saindo atropeladas, a voz tremendo de leve. Comecei pelo beijo, né? Finalmente rolou o beijo que eu tanto sonhava… a boca dele gostosa, invadindo a minha, o gosto de cloro misturado ao dele, a língua dançando devagar no começo e depois urgente, me deixando tonta, eu ficando sem ar, o corpo inteiro mole contra o dele.
Fui contando sem nem respirar direito. Contei que acabamos indo pro meu quarto, que ele me colocou na cama de um jeito que até agora me dá um friozinho na barriga só de lembrar — o peso dele me prendendo, os braços fortes me envolvendo. Contei como ele me chupou, a língua quente explorando cada pedacinho, lenta e depois rápida, sugando com força até eu gozar tão forte que as pernas tremeram por minutos, o corpo convulsionando, ondas de prazer subindo e descendo sem parar, me deixando zonza, chorando de tão intenso.
Carol deu uma risadinha maliciosa, mordendo o lábio inferior, os olhos brilhando.
— É bom, né? Eu adoro ser chupada… sempre gozo muito assim. É a melhor parte. Sinto tudo pulsar, sabe? Como se o corpo inteiro se concentrasse ali, quente, molhado, e depois explode.
Em seguida ela perguntou toda curiosa se a gente tinha transado, mas neguei com a cabeça, sentindo o rosto queimar de novo.
— Não, prima… — murmurei. — Deu muita vontade, muita mesmo… mas na hora eu... travei.
Expliquei pra ela que não era só o medo da dor, sabe? Bateu o medo de ser só usada. De o Diego só querer aquilo e pronto, me comer e tchau. Eu ainda era romântica, né? Queria uma primeira vez especial e não algo apenas de momento, algo que ficasse marcado no corpo e na alma.
Aí respirei fundo e contei do sexo anal.
Ela arregalou os olhos na hora, levando as mãos à boca, e soltou um “mentiraaaaa!” tão alto que até eu comecei a rir. Ela tentou segurar, mas estava claramente se divertindo, o corpo balançando de leve na cama.
— Mentira que tu deu o cu, Rafa! — ela disse, mordendo o lábio, os olhos brilhando de curiosidade safada. — Me conta TUDO… tudinho… não pula nada. Como foi a sensação? Doeu muito? Conta o cheiro, o calor, tudo!
— Sim, e doeu pra caralho, Carol. Nem imaginei que fosse doer tanto. Tipo… quando ele quis… eu tava tão fora de mim que acabei deixando, sem nem pensar se ia doer. A ardência subia devagar, queimando lá dentro, como se rasgasse tudo. Chorei, gemi, mordi o travesseiro até molhar tudo de saliva e lágrimas. Mas no meio da dor veio um prazer esquisito, quente, que subia pelas costas e me fazia tremer inteira.
Ela se inclinou pra frente, mordendo o lábio, rindo, com aquele brilho safado nos olhos.
— Eu adoro anal.
— Jura? — perguntei, surpresa, sentindo um calor subir pelo pescoço.
— Juro — ela disse, com o sorriso mais safado do planeta. — Mas só comecei depois que perdi a virgindade. No começo é tenso mesmo, dói pra cacete, você acha que vai morrer. O corpo trava, aperta tudo, arde como fogo. Mas depois que aprende a relaxar… gata… é só prazer. Real. Sente ele preenchendo tudo, latejando lá dentro, e quando goza… nossa, parece que o corpo inteiro explode junto.
— O segredo é ficar relaxada e usar muito lubrificante.
Continuamos ali, tendo aquele papo sobre sexo anal. Carol descreveu como foi sua primeira vez. Disse que tinha rolado com o Adriano, o primeiro namorado — o mesmo que tirou o cabacinho dela na frente.
Ela riu e disse que o Adriano tinha o maior pau que ela já tinha visto, grosso, quente, e que no começo ela achou que não ia aguentar, que ia rasgar de vez. Mas depois, com calma e lubrificante, virou só prazer, um prazer fundo, intenso, que fazia ela gemer alto e tremer inteira.