Capítulo 0

Quem manda aqui sou eu

Sexta-feira, 22 de maio de 2015

6h10

Acordei com o corpo todo moído. Dar pra tanta gente assim cansa demais. Doíam músculos que eu nem sabia que existiam: parte de dentro da coxa, a barriga, o quadril, o meio das costas. Ainda tinha uns roxos na bunda. A buceta e o cu doíam de um jeito estranho, um ardor inchado que latejava sozinho e não me deixava esquecer, nem por dez minutos, o que tinha acontecido.

No celular, um monte de mensagem do Gabriel. De todos, era o mais preocupado comigo. Queria saber se eu estava bem, se eu tinha me machucado, se estava doendo alguma coisa. Na real, eu sabia muito bem que ele queria me comer, mas, diferente do irmão, ele parecia preocupado de verdade ou disfarçava muito bem.

E eu, safada do jeito que sou, acordei só a fim de transar. Só isso. Sem conversa, sem pergunta, sem ter que explicar nada pra ninguém. Deu até vontade de dar pro Gabriel de novo. Ele era um amorzinho. Só que o problema era justamente esse: ele ia querer chamego, ia querer ficar deitadinho comigo depois, ia querer conversar. Não era isso que eu queria. Não naquele momento.

As minhas opções eram o Rodrigo ou o Lipe. O Rodrigo era outro apaixonadinho. Provavelmente ia ver algum roxo na minha bunda e perguntar como eu tinha conseguido aquilo. Ia me encher com um milhão de perguntas e ficar enchendo a porra da minha paciência em vez de me comer.

Então foi o Lipe mesmo.

10h35

Eu olhava pro professor com a cabeça longe, completamente distraída. Ai, se ele soubesse que na minha cabeça eu já tava sentando no pau do Lipe, rebolando até matar o garoto, ele me expulsava da aula na hora. Meu Deus, como essa aula se arrastava. O relógio não andava, cada minuto uma eternidade. Eu mexia na cadeira sem parar, ansiosa, a calcinha já molhada.

12h30

Quando as aulas terminaram, eu fiquei com a Júlia no portão esperando o irmão dela. Não demorou muito e ele apareceu, mochila nos ombros, andando no meio dos colegas com aquele jeito marrento de quem se acha gostoso demais, rindo de alguma coisa. Um dos garotos que vinha com ele falou mais alto e os outros caíram na gargalhada. Aí eles me viram, e a risada morreu no meio — um olhou pro chão, o outro segurou o sorriso na cara e virou o rosto pro lado.

Era de mim que eles estavam falando. Eu fiquei vermelha de raiva e meu estômago virou na hora.

Fiquei pensando se o Lipe tinha aberto a boca sobre a gente. Pelos olhares daqueles meninos, eu tive quase certeza que sim. Senti meu rosto queimar de vergonha. Por um instante, pensei no que o Lipe tinha contado de mim. Será que a turma toda já sabia que eu tinha dado o cu pra ele?

Mas foda-se. Eu sabia que era isso bem provável que acontecesse. Os garotos são assim mesmo. Falam que as meninas fazem fofoca, mas eles são os maiores fofoqueiros. Adoram contar vantagem. Mas, depois que eu sentasse na pica dele o suficiente, eu tiraria à limpo essa história.

Eles moravam ali perto da escola, então fomos caminhando.

O Lipe ainda não sabia o que ia rolar. Eu não tinha combinado nada. Na cabeça dele, talvez eu estivesse só indo lá pra ficar com a irmã dele, como sempre fazia. Desde aquela vez que dei pra ele, ele ficava me mandando mensagem querendo me comer de novo, mas eu só enrolava, deixando ele na vontade. Dessa vez eu pensei em fazer surpresa: ia aparecer no quarto dele sem avisar.

Quando chegamos, avisei a Júlia que ia direto pro quarto do irmão. A porta estava entreaberta. Ele estava de costas, ainda tirando a calça jeans, sem saber que eu ia atrás dele.

Entrei e fechei a porta atrás de mim, larguei a mochila no chão e já fui tirando a calça jeans, ficando só de calcinha, e andei na direção dele cheia de atitude. Ele se virou e me olhou com cara de quem não estava entendendo nada, a surpresa no rosto ao me ver ali, só de calcinha, indo pra cima dele. Eu só dei um risinho travesso.

Para um garoto cheio de marra, que se achava o comedor da escola, ele pareceu atordoado demais. Ficou parado no mesmo lugar me olhando, como se o mundo tivesse virado do avesso: era eu indo pra cima dele, e não o contrário. A voz saiu falhando, baixa demais pra aquele peito inflado de ego:

— E aí… tudo bem?

Desde que eu dei a primeira vez, amei cavalgar. Tinha criado um fetiche nisso. Com o Diego tinha sido ótimo, e agora, já tomando anticoncepcional e sem o medo de engravidar, aquela vontade só aumentava.

Não deixei ele dizer nada. Empurrei o peito dele até a cama e subi em cima, de joelhos. Encostei a buceta molhada, ainda coberta pela calcinha fina, sobre o volume do pau dele, que já marcava a cueca, e comecei a me esfregar devagar, sentindo o calor e o tamanho por baixo do tecido. O atrito me fez tremer o corpo inteiro. Beijei a boca dele com vontade. A língua entrou sem aviso, lambendo, sugando o lábio dele. Aquele beijo molhado, intenso, daqueles que a gente fica sem ar. Ele tinha uma boca tão gostosa que nem dava vontade de parar. Ele gemeu no meio do beijo e as mãos vieram direto pra minha bunda, me apertando e me puxando contra aquele volume duro.

— Fica quietinho — sussurrei no ouvido dele. — Sou eu quem manda aqui.

O sorriso na minha cara era de pura malícia. Ele me olhava com um riso bobo congelado no rosto e respondeu um “tá”, gaguejando. Eu arranhei o peito dele de leve com as unhas, desci a mão, puxei a cueca pra baixo e tirei o pau dele. Estava bem duro, grosso, já molhadinho na cabeça. Segurei ele na mão, sentindo pulsar.

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