Ele deu uma risada baixa e balançou a cabeça.
— Relaxa, essa parte foi zoeira. Só queria ver sua cara de desespero.
— Caralho, Diego… você quase me matou do coração — falei, ainda com a voz tremendo um pouco.
Ele deu uma gargalhada alta, jogando a cabeça pra trás, claramente se divertindo com o meu desespero.
— Relaxa, foi só pra ver sua cara. Na real, eu só quero que você vá até o Iuri e dê mole pra ele. Mas pode fazer do seu jeito.
Eu balancei a cabeça, incrédula.
— Caralho, Diego… isso é ridículo! Ele é filho do jardineiro! Você quer que eu levante agora e vá até ele, assim, do nada?
— Vai lá, putinha. Seduz o garoto. Isso é moleza pra você.
Que merda, pensei.
Meu estômago revirou. O jardineiro trabalhava pro meu pai há anos. Tinha tudo pra dar errado. Além disso, o Iuri era feio pra cacete, desengonçado, suado, com aquela sunga velha grudada no corpo magro. Eu tinha mil argumentos na cabeça pra não ir…
— Vai, porra. Obedece. — A voz dele ficou mais séria, sem espaço pra discussão. — Só levanta e vai até ele rebolando. Você fica uma delícia nesse biquíni de lacinho… Duvido que ele não vai babar olhando pra essa sua bunda.
Fiquei parada olhando para o garoto, completamente congelada de nervoso. Meu Deus, como eu ia fazer aquilo? O moleque ia achar super estranho… eu nunca tinha trocado mais que duas palavras com ele na vida.
— Vai ou não, caralho? — Diego insistiu, me encarando fixamente, sem desviar os olhos.
Ele esperou só mais um segundo e completou:
— Se você não for agora, eu vou chamar ele aqui.
— Nãaaaao, seu maluco!! — quase gritei, o coração martelando no peito. — Tá bom… eu vou. Eu vou. Eu sempre obedecia.
— Então vai logo, piranha! Tô perdendo a paciência.
Respirei fundo, sentindo as pernas um pouco moles. Levantei da espreguiçadeira devagar. O biquíni de lacinho vermelho mal cobria o essencial, e eu sabia que Diego estava olhando. Dei os primeiros passos na direção do Iuri, rebolando de leve como o Diego tinha mandado, sentindo o sol quente nas costas e um frio estranho na barriga.
Quanto mais eu chegava perto, mais meu estômago revirava. O Iuri estava em pé, segurando aquela vara longa de alumínio com a peneira na ponta — aquela que a gente usa pra tirar sujeira da superfície da piscina. O corpo magro brilhava de suor por causa do sol forte da manhã.
Eu forcei um sorriso, tentando parecer casual.
— Oi… tá calor hoje, né?
Ele piscou, claramente confuso com minha presença repentina.
— Oi… é… tá sim, dona Rafaella.
Fiquei ali parada, sem saber muito bem o que falar em seguida. Sentia o olhar do Diego queimando nas minhas costas como se ele estivesse me cutucando com um ferro quente. Meu coração batia tão forte que eu jurava que o Iuri conseguia ouvir.
— E aí, tá terminando já? — perguntei, tentando soar casual.
— Sim, senhora… tá limpinha já. Falta só medir o pH.
— Senhora não, né, garoto... eu sou mais nova que você — eu ri, tentando quebrar o gelo, mas o riso saiu meio forçado.
Foi exatamente nessa hora que o Diego se aproximou devagar e parou bem do meu lado, ombro colado no meu. Senti o cheiro dele misturado com protetor solar. Ele sorriu pro Iuri com aquela cara de quem tá aprontando alguma.
— Uma princesinha, né, Iuri? — disse ele, bem descontraído. — Já reparou como ela é gostosinha?
Meu estômago deu um salto.
— Dá uma voltinha aí, Rafa. Deixa o Iuri reparar nessa sua bunda.
Eu fuzilei o Diego com os olhos, sentindo o rosto queimar de raiva e vergonha ao mesmo tempo. Meu pescoço e bochechas deviam estar vermelhos. Ele só ria baixinho, safado pra caralho, claramente se divertindo com o meu desconforto.
O Iuri ficou parado, sem saber onde enfiar a cara. Olhava da haste de limpar piscina pra mim, depois pro Diego, visivelmente sem graça.
— Vai, Rafa, uma voltinha só, o que custa? — insistiu meu primo.
Acabei cedendo. Dei uma voltinha devagar, sentindo o biquíni apertar nas coxas e o tecido fino roçando na pele úmida de suor. Balancei os quadris de propósito, só pra acabar logo com aquilo.
— Duvido que tu já pegou alguma gatinha como essa? — provocou Diego, rindo.
O Iuri ficou sem graça na hora. As bochechas escuras ficaram ainda mais escuras. O garoto era tímido pra cacete, dava pra ver pelos ombros encolhidos e pelo jeito como ele baixou os olhos pro chão, como se quisesse desaparecer ali mesmo.
Nossa, o Diego era ridículo. Ele se divertia demais com o constrangimento alheio, o safado.
Eu me sentei na beirada da piscina, deixando os pés mergulharem na água fresca. O choque de frio arrepiou minhas pernas inteiras. Fiquei ali quieta, balançando os pés devagar na água, só observando os dois, esperando pra ver até onde meu primo ia levar aquela palhaçada toda.
— Fala pra mim, Iuri: o que mais te chama atenção nessa loirinha?
O Iuri gaguejou, boca ia abrindo e fechando sem conseguir soltar nenhuma palavra. Coitado… dava pra ver que não era só vergonha. Ele estava claramente morrendo de medo de falar alguma merda, eu não gostar e depois reclamar dele pro meu pai. Ou pior: o pai dele levar bronca por causa disso e os dois serem mandados embora.
— Responde, Iuri — Diego insistiu, com a voz mais firme.
— Diego, para com isso — falei, sentindo pena do garoto.
Diego sacou logo que aquilo estava indo longe demais e mudou rápido o rumo da conversa.
— A Rafa adora baile funk, né Rafa? — ele disse, olhando pra mim com um sorrisinho safado, sabendo muito bem que ia me irritar.
— Mentira dele! — protestei na hora. — Eu odeio funk, nunca nem fui num baile.
Diego ignorou completamente o que eu falei e continuou:
— Tem baile funk lá onde tu mora?
Aí o Diego começou a bombardear o Iuri de perguntas: se as garotas eram muito safadas, se era verdade que muitas iam sem calcinha, onde era o baile mais famoso… Perguntou até onde ele morava.
— Perto da rampa do Siméria, conhece? — perguntou o Iuri, voz baixa.
— Conheço sim, a rampa de voo livre — disse Diego.
— Junta bastante gente lá pra ver o pôr do sol. É bem legal — completou o garoto.
Diego não perdeu tempo:
— Por que tu não chama a Rafa pra conhecer esse lugar?
Ele virou pra mim com aquele sorrisinho safado e perguntou:
— Você iria, né Rafa? — ficou me encarando, claramente esperando que eu dissesse sim na hora, mas dei de ombros e fiz uma cara de “não sei”, sem confirmar nada.
Continua...