Saí do quarto dele direto pro banheiro, trancando a porta com as mãos tremendo. Precisava de um banho, sobretudo, ficar um tempo sozinha pra digerir meus próprios sentimentos.
Liguei o chuveiro, deixando a água quente queimar minha pele, como se aquela água pudesse lavar tudo o que tinha rolado. Mas não lavava, e eu desabei ali mesmo, encostada na parede fria, o choro vindo forte, misturado com os soluços que eu tentava abafar pra ninguém ouvir.
Admito, eu amei pra caralho aquela porra toda. Gozei que nem uma maluca, foi insano, meu corpo inteiro pegando fogo, tremendo horrores, sabe aqueles orgasmos que tu acha que vai explodir de vez? Meu Deus.
O jeito que eles me pegavam, me usavam sem dó, me fazia sentir tipo uma putinha deusa do sexo, desejada pra cacete, como se o mundo inteiro girasse só em torno da minha bunda, da minha boca, do meu corpo todo se entregando.
Puta merda, a real é que eram dois gatos ali, pauzudos, só pra mim — me fodendo, me deixando louca de tesão, ensopada, pingando, querendo mais. Eu me sentia no topo, afinal eu era só uma menina... uma adolescente burra se achando rainha da putaria, mas no fundo... no fundo eu sabia que era só isso, né? Era só uma trepada. Eram apenas dois machos safados me usando do jeito que bem entendiam, me abrindo, me enchendo de porra, me jogando fora depois como se eu fosse nada além de um buraco quente pra eles gozarem.
E agora, sozinha ali, o tesão virava um vazio enorme no peito. Me sentia suja, usada, descartada, como se eu fosse só um brinquedo. E o pior: culpada pra caralho. O Adriano era ex da Carol, e eu sabia que eles ainda tinham um rolo. Como eu pude fazer isso com ela? Comigo mesma? Tipo, que porra eu tô fazendo da minha vida?
Demorei no banho o tempo suficiente pra deixar as lágrimas rolarem livres, misturadas com a água, até meus olhos incharem. Saí dali enrolada na toalha, o corpo ainda mole, as pernas fracas, e fui direto pro quarto da Carol. Precisava desabafar ou ia explodir por dentro.
Eu me joguei na cama dela sem anúncio, e ela me olhou com aquela cara de "o que rolou agora?", mas não havia julgamento no seu olhar. Fui direta, sem rodeios: contei tudo. O Diego me mandando chupar o Adriano, em seguida me fazendo chupar os dois juntos e depois mandando o Adriano me comer. Ela ficou quieta, ouvindo tudo com os olhos atentos, como se estivesse chocada.
— Com o Adriano eu nem ligo, Rafa — ela disse de um jeitinho muito calmo, me passando a tranquilidade que eu precisava. — Já passou cara, ele agora é ex. Não tem problema se você quiser ficar com ele, ele é legal e muito gostosinho na cama, meu lance com ele é só pele mesmo. Nada mais.
Mas aí ela franziu a testa, e o tom mudou.
E eu senti o silêncio que precede o esporro, literalmente.
— Mas o Diego, — o tom dela agora era de algo entre indignada e raiva — ele não tem o direito de fazer isso com você.
Ela se virou para mim, respirando fundo, medindo as palavras com calma e continuou.
Rafa, ele não pode te humilhar assim, te obrigar a... — ela precisou de uma pausa para pensar no que dizer — fazer essas coisas todas que você me contou.
Foi aí que eu não aguentei mais. Tudo que eu estava guardando no peito saiu de uma vez, aos frangalhos; A voz falhou, o peito travou como se alguém tivesse enfiado uma faca, e as palavras saíram emboladas entre soluços que eu não conseguia controlar:
— Mas eu quis, Carol. Eu deixei! Eu me entreguei! Eu obedeci como uma idiota. Eu sou burra, eu sei. Mas eu achei…
Eu engoli o choro, tentando arrumar o caos na garganta, as lágrimas escorrendo quentes pelo rosto. Tentando me recompor um pouco.
— Eu achei que talvez, se eu deixasse ele me usar, se fizesse todas as vontades dele, por mais loucas que fossem, ele gostasse mais de mim. Que fosse me amar de verdade, sabe? Tipo, me ver como algo além de uma foda.
Ela balançou a cabeça, devagar, com pena nos olhos.
— Rafa, ele não ama ninguém. Ele só quer te usar. Eu estou te falando, me escuta! Para de se iludir, prima!
Ela se aproximou devagar, limpou as lágrimas dos meus olhos e me deu um abraço tão forte, daqueles apertados que esmagam até a alma.
— Você não é burra, Rafa — ela sussurrou no meu ouvido, a voz baixa e firme. — Você está tentando ser amada, só que do jeito errado, prima!
Fechei os olhos, deixando mais uma lágrima escorrer.
No fundo, ela tinha toda razão. Eu me sentia usada, como um brinquedo que eles jogaram fora depois de se divertir. Vazia, com um buraco no peito que nada preenchia. E por mais que ela tenha dito que que tinha nada mais com o Adriano, eu ainda me sentia culpada por trair a confiança dela.
Para piorar tudo, eu ainda me sentia confusa pra caralho, porque uma parte de mim ainda latejava de tesão só de lembrar. Se ele me chamasse de novo naquela noite, eu voltaria correndo, me jogando aos pés dele, implorando por mais como uma cadelinha. Porque era isso que eu conhecia como amor — dor misturada com prazer, humilhação disfarçada de paixão. Eu era viciada nele, naquilo tudo, mesmo sabendo que ia me destruir no final.