Comecei a me esfregar devagar, bem devagar. A cabeça grossa do pau do Rodrigo deslizava entre meus lábios vaginais, roçando a carne úmida e sensível, enviando arrepios longos que subiam pelas coxas e se espalhavam pelo ventre como lava. O calor crescia, insistente, invadindo cada canto do meu corpo. E o Diego ali, parado, ofegante, o olhar cravado em mim com uma intensidade que queimava. Aquilo me deixava ainda mais molhada, mais entregue, mais atrevida do que eu jamais imaginei ser.
Meu corpo já pedia para sentar, implorava por aquilo. Estava quase, quase mesmo, quando uma lembrança me puxou de volta à realidade. Virei o rosto para o Rodrigo, a respiração entrecortada.
— Você tem camisinha?
Ele me encarou por um segundo e negou com a cabeça, sem dizer nada.
— Droga… sério isso? Como você vem aqui sem…? — reclamei alto, sem conseguir segurar a frustração, interrompendo a frase.
Levantei da cama, o corpo ainda tremendo de tesão e irritação misturados. Fui até a mochila, abri o zíper com pressa e peguei o tubinho de lubrificante que sempre carregava escondido. Abri a tampa com os dentes, espremi uma boa quantidade nos dedos e comecei a passar no meu cuzinho. Devagar, com cuidado, sentindo a textura fria do gel se aquecer ao contato com a pele quente, espalhando-se em círculos suaves até me deixar escorregadia e pronta.
Voltei para cima do Rodrigo na mesma posição de antes: de costas para ele, mas de frente para o Diego. Queria que ele visse cada detalhe: Eu dando o cu para outro.
E dessa vez eu sentei.
Devagar. Bem devagar. Sentindo cada centímetro do pau dele me invadindo, me abrindo, me preenchendo com uma pressão que era ao mesmo tempo incômoda e deliciosa. A dor quente se misturava ao prazer de forma tão perfeita que eu não conseguia mais distinguir onde uma acabava e o outro começava. Era tudo junto, intenso, avassalador.
Fechei os olhos e deixei escapar um gemido longo, sentindo dor e prazer, me entregando inteira ao movimento. Cavalguei devagar no início, sentindo-o entrar até o fundo, depois sair quase todo, e voltar a entrar. Repetindo, lento, profundo, cada vez mais fundo, mais forte. Meu corpo pedia e eu obedecia, a pressão crescendo dentro de mim, o calor subindo em ondas que faziam minha pele formigar.
Então abri os olhos.
Meu olhar foi direto para ele.
Para o Diego. Ali, bem na minha frente, a mão ainda no pau, os olhos fixos em mim enquanto se masturbava.
Por mim.
Para mim.
Saber que eu provocava aquilo nele, sem nem encostar um dedo, me deixou ainda mais louca de tesão. A boceta pulsava vazia, encharcada, enquanto eu cavalgava mais rápido, sem tirar os olhos dele. E ele não nem piscava. Naquele instante eu era o centro do universo dele, e isso me incendiava por dentro.
Saí de cima do Rodrigo ainda com o corpo em chamas e me deitei de ladinho na cama, uma perna dobrada, a outra esticada, bem de frente para o Diego. Rodrigo veio por trás, calado, segurou firme meus quadris e meteu de uma vez. O pau entrou fundo, com força, arrancando um gemido rouco da minha garganta.
— Vai, Rodrigo… me fode… soca mais forte… — implorei entre gemidos, os dedos cravados no colchão.
Ele obedeceu sem hesitar. Sem dó. Socando meu cuzinho com vontade, cada estocada mais profunda, mais bruta, exatamente do jeito que eu queria naquele momento. O ritmo acelerado fazia meu corpo balançar, o prazer se acumulando em camadas que ameaçavam me engolir inteira.
Minha mão desceu direto para o clitóris, os dedos encontrando minha pepeca inchada, escorregadia de tesão e ansiedade acumulada. Comecei a me tocar com movimentos rápidos, circulares, pressionando com força crescente, sentindo cada esfregada disparar choques quentes que subiam pela espinha e explodiam no ventre. Meu corpo implorava por mais, por alívio, por aquela queda inevitável. Eu precisava gozar, precisava me desfazer inteira.
E no meio de tudo aquilo, meus olhos permaneciam cravados nele.
No Diego.
Ele estava ali, encostado na parede, o peito ofegante, a mão punhetando o pau cada vez mais selvagem. Os gemidos baixos escapavam roucos, quase inaudíveis, mas eu os ouvia perfeitamente — eram só para mim, um som gutural que vibrava no ar entre nós. Ver ele se entregar assim, se masturbar com desespero enquanto outro homem me fodia por trás… aquilo me incendiava por dentro. O tesão virou uma febre que consumia cada nervo, cada pensamento. Eu me sentia exposta, desejada, poderosa e vulnerável ao mesmo tempo.
Minha mão acelerou sozinha, os dedos deslizando encharcados entre os lábios, pressionando o clitóris com uma intensidade que beirava a dor, mas que só aumentava o prazer. Eu já não controlava nada. O corpo se movia por instinto, os músculos se contraíram em espasmos involuntários.
Soltei um gemido abafado que logo se transformou em um grito contido. Gozei. Intenso. Os olhos reviraram para trás, a visão escurecendo por instantes. O orgasmo veio em ondas violentas, contrações profundas que atravessavam o ventre, as coxas e o peito inteiro. Cada pulso era como um choque elétrico que me fez arquear as costas, tremer descontroladamente, os músculos internos se fechando em espasmos ritmados ao redor do nada. Meu corpo inteiro convulsionou, suor escorrendo pela nuca, pelas costas, entre os seios. Eu não conseguia parar de tremer, o prazer me atravessava como uma correnteza que não dava trégua.
Mesmo assim, Rodrigo não parou. Continuava metendo com força bruta, as mãos cravadas na minha cintura como garras, o ritmo implacável. Cada estocada fazia os meus seios balançarem, o prazer se misturando aos ecos do orgasmo anterior. E então veio aquela última estocada. Firme. Profunda. Ele soltou um gemido rouco bem no meu ouvido, o som vibrando contra minha pele, e eu senti tudo.
A porra quente jorrou dentro de mim de uma vez, inundando meu cuzinho com um calor denso, pulsante, quase escaldante. Cada jato me preenchia mais, me marcava por dentro, escorrendo devagar depois, grosso e viscoso, melando as nádegas, descendo pelas coxas em filetes quentes que arrepiavam a pele sensível. Eu adorava aquela sensação de estar completamente tomada, preenchida até o limite, usada de um jeito cru e sem pudor. O calor interno se espalhava, misturando-se ao latejar residual do meu próprio prazer, deixando-me mole, saciada e ainda faminta.
Rodrigo tirou o pau devagar. Meu cuzinho ficou ali, aberto, melado, escorrendo devagar, latejando com os últimos espasmos. O ar fresco roçava a carne exposta e sensível, provocando um arrepio longo que subiu pela espinha.
Meu corpo ainda tremia. Mas minha cabeça… minha cabeça já estava em outro lugar.
No Diego.
Rodrigo se levantou da cama, ofegante, o peito arfando. Eu permaneci deitada de lado, encarando o Diego. Ele não desviava os olhos de mim. O olhar dele era posse absoluta, desejo cru, uma mistura de raiva e tesão que fazia meu coração disparar de novo.
O combinado era que ele só assistisse. Mas eu queria mais. Queria sentir ele me possuindo de verdade, me tomando como se eu fosse só dele.
E eu quebrei as regras.
— Vem… — falei baixo, a voz rouca, quase sem fôlego, o coração martelando contra as costelas.
E ele veio.
Com aquele olhar faminto que me cortava ao meio, ele me encarava como se eu fosse uma coisa dele. Havia posse absoluta ali, um fogo que consumia tudo, e uma raiva que eu sentia pulsar no ar entre nós, como se minha entrega ao Rodrigo tivesse aberto uma ferida que precisava ser fechada com força.
— Caralho… tô louco pra te comer — rosnou, a voz rouca rasgando o silêncio, o pau duro latejando visivelmente, grosso e inchado de um desejo que já não cabia mais dentro dele.
— Então me come — implorei, ofegante, sem vergonha, sem orgulho, só necessidade crua.
Eu queria ele me possuindo de verdade, me arrancando qualquer resto de dúvida sobre quem mandava no meu corpo e no meu coração.
— Empina esse rabo.
Obedeci na hora. Claro que obedeci. Era instinto, era rendição, era o que eu sempre soube que faria por ele.
Apoiei-me na cama, joelhos afundados no colchão, cotovelos firmes, bumbum erguido alto, exposta por inteiro. A umidade escorria devagar pelas coxas internas, o ar fresco roçando a carne sensível e me fazendo tremer de antecipação e medo misturados.
Ele veio. E veio com tudo.
Sem aviso, a mão aberta desceu com violência na minha nádega. O tapa estalou alto, ecoando como um trovão no quarto. Gritei na hora — um grito que saiu do fundo do peito, metade susto, metade dor aguda que se espalhou pela pele. Ardeu fundo, latejou quente, queimou até a alma. Doeu de verdade. Mas no meio daquela dor veio o prazer torto que eu conhecia tão bem, o prazer de ser dele daquele jeito selvagem, de ser dominada como se meu corpo tivesse nascido para pertencer a ele.
Logo em seguida, sem delicadeza, ele enfiou dois dedos no meu cu. Fundo, direto, sem preparar. A invasão repentina me fez arquear as costas, um gemido abafado escapando enquanto eu mordia os lábios com força para não gritar mais alto. Sentia a porra do Rodrigo ainda quente lá dentro, e os dedos dele mexendo devagar, me abrindo ainda mais.
— Tá toda melada de porra garota… — murmurou, a voz baixa e carregada de desprezo e desejo ao mesmo tempo. — Tá toda arrombadinha. É disso que você gosta, né?
As palavras entraram em mim como faca. Me incendiavam. Me humilhavam. E eu amava cada sílaba.
Ele virou o rosto para o Rodrigo, que estava em pé, encostado na parede, silencioso e distante.
— Você sabe que sua namorada é uma putinha, né?
O deboche era cruel, intencional, cutucando a ferida dele de propósito. Rodrigo não respondeu. Não precisava. O silêncio dele doía mais que qualquer palavra.
Diego voltou os olhos para mim. Os dedos ainda enterrados fundo, mexendo devagar.
— Fala pra ele. Vai… fala que você é minha putinha.
— Sou… sou sua putinha. E ele sabe disso — respondi sem pensar, a voz tremendo de emoção e verdade. Era verdade. Sempre foi verdade. E admitir aquilo em voz alta doía e libertava ao mesmo tempo.
Ele me deu mais dois tapas. Um de cada lado. Fortes. Estalados. A pele queimou de novo, o ardor se espalhando em ondas quentes que faziam meus olhos se encherem de lágrimas. Fechei os olhos com força, mordi o lábio inferior até sentir o gosto salgado do sangue. Tentei aguentar. E aguentei. Porque aguentar era provar que eu era dele.
— Puta… piranha… vadia… cadela… — a sua boca cuspia ofensas entre os tapas, cada palavra saindo como um golpe que me marcava por dentro.
E por mais absurdo que pareça, aquilo me deixava ainda mais molhada, mais vulnerável, mais desesperada por ele. A boceta pulsava de dentro para fora, vazia e encharcada, implorando por mais humilhação, mais posse, por mais dor que virasse prazer.
Ele agarrou meu cabelo com força brutal, puxou para trás até eu arquear as costas inteiras. O couro cabeludo ardia deliciosamente. Gemendo, eu só queria uma coisa: que ele me tomasse logo, que me apagasse qualquer resto de mim que não fosse dele.
— Agora aguenta, putinha… vou meter.
E meteu. Com tudo. Sem piedade.
A estocada inicial foi profunda, brutal, me fazendo curvar o corpo inteiro como se ele quisesse me partir ao meio. Ele me dominou na hora, me tomou como se eu fosse dele desde sempre, como se cada estocada fosse uma punição. Cada movimento seguinte vinha mais forte, mais raivoso, mais carregado de tesão e de uma dor que eu sentia no peito tanto quanto no corpo. O pau entrava até o fundo, batendo com força, preenchendo cada centímetro com uma pressão que misturava dor insuportável e prazer avassalador.
Eu gemia sem controle. Mordia o lençol, os dentes cravados no tecido úmido de saliva e lágrimas. As mãos agarravam o colchão com desespero para não desabar sob o peso daquele prazer que me atravessava como faca.
— Isso, me fode… — gemi alto, sem conseguir me segurar, a voz quebrada. — Me fode mais…
Ouvi ele urrando atrás de mim, gemidos roucos e descontrolados, o som de um homem que perdeu todo o resto, que só existia para me possuir. O ritmo acelerou, os quadris batendo contra minhas nádegas com uma força que fazia a cama ranger e meu coração se partir um pouco mais.
E então ele gozou.
Senti a primeira jorrada invadir meu rabo com violência. Quente, densa, quase fervendo. Arrepiou tudo por dentro, como se queimasse as paredes internas e marcasse cada pedaço de mim. Logo veio mais, jatos grossos que transbordaram, escorrendo devagar pela minha bunda, descendo pelas coxas em filetes quentes e viscosos que melavam a pele inteira.
Não era só porra. Era ele. Ele inteiro se derramando sobre mim, marcando território com cada gota. Como se dissesse, sem precisar de palavras: “você é minha. Sempre foi. Sempre vai ser.”
Meu corpo cedeu de vez. As pernas perderam toda a força. Caí de bruços na cama, mole, o coração disparado martelando no peito como se quisesse fugir, a respiração entrecortada e irregular, lágrimas quentes escorrendo pelo rosto sem que eu percebesse quando começaram.
Eu estava toda fodida. Toda dele. E, no fundo, toda quebrada por dentro.
Percebi um movimento pelo canto do olho e virei o rosto. Rodrigo já estava se vestindo. Calado e de aparência triste e insatisfeita.
— Vai embora? — perguntei, ainda deitada, a voz fraca e rouca.
— Acho que tô sobrando aqui — respondeu ele, sem me olhar nos olhos, a voz baixa e carregada de uma tristeza que me atravessou como faca.
Levantei devagar, as pernas bambas tremendo sob o peso do corpo e da culpa que começava a pesar. Fui até ele.
— Fica… por favor. Você sabe que eu te adoro, né? — falei olhando direto nos olhos dele, implorando com o olhar tanto quanto com as palavras.
Ele não respondeu. Só me encarou por um longo segundo, os olhos brilhando de algo que eu não queria nomear.
Me aproximei mais devagar, e encostei os lábios nos dele num selinho calmo, delicado, quase suplicante, como se aquele toque pudesse consertar o que eu havia quebrado.
— Fica… por favor. Tô pedindo — insisti baixinho, a voz tremendo. E insistia porque eu realmente gostava dele. Porque, mesmo depois de tudo, ele ainda importava.
E foi aí que, pasme, até o Diego falou.
— Fica, cara. Ela é sua namorada… se tem alguém sobrando aqui sou eu — disse ele, meio rindo, meio sério, soltando uma risada curta que tentava aliviar o ar pesado, mas que só fez o silêncio depois ficar mais denso.
Rodrigo respirou fundo e fez um leve movimento de cabeça. Parecia um sim, foi o suficiente. Mas, no fundo, nada estava resolvido.
E só aquele gesto de cabeça bastou. Um aceno pequeno, quase imperceptível, mas que aliviou o peso que eu nem sabia que carregava no peito.
Na hora, bateu uma sede imensa. Meu corpo ainda fervia, a pele quente, o sangue correndo rápido demais nas veias. Perguntei, tentando soar casual:
— Vocês querem alguma coisa? Tão com fome? Com sede?
Só o Diego respondeu, com aquele jeito dele, meio preguiçoso, meio mandão:
— Uma Coca bem gelada vai cair bem.
Fui até a copa. Peguei a garrafa de refrigerante, três copos de vidro gelados do freezer, e joguei alguns pacotes de biscoito recheado numa bandeja improvisada. O frio do chão subia pelos pés descalços, contrastando com o calor que ainda pulsava no meu ventre. Cada passo fazia as coxas roçarem uma na outra, lembrando-me do que havia acabado de acontecer ali dentro.
Quando voltei ao quarto, os dois estavam sentados na cama. Sentados. Rindo de alguma coisa. O ar parecia mais leve, os ombros menos tensos. Diego jogado contra a cabeceira, Rodrigo com as pernas cruzadas, os dois conversando como se nada tivesse acontecido. Como se não tivessem acabado de dividir meu corpo minutos antes.
Pensei: “Que bom. Pelo menos deu uma descontraída.” E senti um alívio genuíno, daqueles que fazem o peito se abrir um pouco.
Diego me viu entrar e já veio com a língua afiada de sempre:
— Porra, Rafa… teu namorado acabou de me dizer que é vascaíno.
Soltou uma gargalhada alta, exagerada, daquelas que ele usava para preencher qualquer silêncio incômodo. Batia a mão na coxa, os olhos brilhando de deboche.
— É sério isso, cara? VASCO? — repetiu, virando para o Rodrigo com uma expressão dramática, como se tivesse descoberto o maior escândalo do ano.
— Pô, Diego… respeita o garoto — falei rindo, e joguei um travesseiro nele com força. Ele levantou o braço para se proteger, rindo ainda mais, orgulhoso da própria provocação.
Rodrigo só balançou a cabeça devagar, aquele sorrisinho tímido nos lábios. O sorriso de quem já sabe que vai ser zoado para sempre, mas que, no fundo, não liga. Ou finge que não liga.
Sentamos ali na cama, os três. Bebendo uma coquinha gelada, o gás subindo e fazendo cócegas na garganta. Dividindo os biscoitos recheados, farelos caindo nos lençóis bagunçados. Falando coisas bobas: futebol, uma série idiota que estava passando na TV, uma piada velha que ninguém ria direito mas todo mundo fingia achar graça. Era como se estivéssemos tentando reconstruir uma normalidade que nunca existiu de verdade.
Mas aí olhei para o relógio na parede. Meus pais já estavam para chegar. O tempo tinha voado sem que eu percebesse.
Levei os dois até o portão. Despedidas rápidas, abraços curtos, um beijo leve na bochecha do Rodrigo, um tapa no ombro do Diego. Eles foram embora caminhando lado a lado, conversando baixo, e eu fiquei olhando até sumirem na esquina.
Voltei para o quarto sozinha. Fechei a porta. Sentei na beira da cama e fiquei ali, meio aérea, confusa. O cheiro deles ainda pairava no ar: suor, sexo, perfume misturado, Coca-cola derramada. Tentei organizar os pensamentos, mas eles fugiram.
Pensei em ir para a casa dos meus primos, como fazia quando precisava fugir de mim mesma. Mas não tive forças. Acabei ficando. Tomei um banho rápido, vesti uma camisola velha e me deitei.
Quando apaguei a luz e fechei os olhos, meu corpo ainda estava lá, revivendo tudo. Cada toque voltava com clareza dolorosa: a mão firme do Rodrigo na minha cintura, o carinho contido dele; a voz rouca do Diego cuspindo palavras que machucavam e incendiavam ao mesmo tempo; o peso dos corpos, os gemidos, os olhares que diziam mais do que qualquer frase. Era como se a tarde inteira tivesse ficado gravada na minha pele.
Prazer. Culpa. Desejo. Medo. Tudo misturado numa confusão que não dava para separar.
Talvez fosse só isso.
O medo de ter gostado demais.
A culpa de ter amado cada segundo daquela loucura.
Porque, no fundo, uma parte de mim já sabia: depois daquela tarde, eu nunca mais seria a mesma. Algo tinha se quebrado. Ou talvez algo tivesse nascido. E eu não sabia ainda qual das duas coisas me assustava mais.
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