Sábado, 23 de maio de 2015
14h
Depois do banho, vesti um short branco minúsculo, daqueles bem coladinhos, de tecido fino e levemente elástico que grudava na pele como segunda camada. Sem calcinha por baixo, claro. Ele marcava tudo: as curvas das nádegas, a linha sutil da divisão, até o relevo mais delicado na frente. A ideia era exatamente essa — provocar o Diego, sabendo que ele ia reparar em cada detalhe e que aquilo ia mexer com ele do jeito que eu queria.
Por cima, joguei um cropped rosa-bebê clarinho, de alcinhas finas, soltinho na frente, mas curto o suficiente para deixar quase todas as minha costas à mostra. O tecido leve roçava a pele sensível ali atrás a cada movimento.
Fui direto para a casa dos meus primos, como de costume. Na verdade, eu praticamente morava lá. Aquele lugar já era extensão da minha casa.
Fiquei um tempinho no quarto da Carol. Nós nos jogamos na cama, rindo alto, trocando fofocas, falando da escola, dos babados mais recentes: quem terminou com quem, quem foi pego no flagra no banheiro do intervalo… e, inevitavelmente, meninos. Sempre acabava em meninos. Era automático.
Mas eu fiquei quieta sobre o principal. Nem contei o que tinha rolado com o Diego e o Rodrigo naquela mesma semana. Talvez porque nem eu soubesse direito o que pensar. Vergonha. Medo. Culpa. Tudo misturado num nó que apertava o estômago toda vez que eu lembrava dos gemidos, dos olhares, da sensação louca de ser dividida entre aqueles dois caras tão diferentes um do outro.
Pior: o Diego era o irmão dela. Eu realmente não estava preparada para contar o que de fato estava rolando… o que, na real, ele vinha fazendo comigo. Não ainda.
De repente, quem aparece ali na porta do quarto?
Diego, encostado no batente como se o mundo inteiro girasse em torno dele. Short curto. Sem camisa. O corpo definido, bronzeado, os músculos do abdômen marcados pela luz que entrava pela janela, o suor sutil brilhando na clavícula. Ele adorava exibir aquilo tudo — e só de olhar, já me deixava sem ar.
— E aí, meninas? — a voz arrastada, lenta, como se tivesse acabado de fumar um baseado.
Carol revirou os olhos e jogou uma almofada na direção dele.
— Nã̀o tá vendo, animal? Tô conversando com a Rafa.
A almofada acertou em cheio o peito dele e caiu no chão. Diego nem se mexeu. Só deu aquela risada baixa, idiota, e manteve os olhos cravados em mim.
Eu não consegui desviar. Ele mexia comigo de um jeito muito louco. O calor começou no peito, e um pulsar quente começou lá embaixo, insistente, como se ele já tivesse me tocado sem me encostar um dedo.
Ele inclinou a cabeça de leve, sem quebrar o contato visual. Aquele gesto mínimo bastou para o ar do quarto ficar mais pesado.
— Rafa, vem comigo. Quero te mostrar uma coisa.
Carol bufou alto, já esticando o braço para pegar o controle remoto da televisão, como se quisesse desligar a cena inteira.
— Aff, Diego, sério? Agora?
Ele nem olhou para ela. Só estendeu a mão na minha direção, palma aberta, fazendo sinal para eu segui-lo.
Meu coração batia tão forte que eu jurava que os dois podiam ouvir o meu coração batendo todo errado no peito. Olhei rápido para Carol. Ela me encarou de volta, sobrancelha arqueada, mas não disse nada. Apenas um suspirou resignada.
Levantei devagar da cama e fui até ele, achando que era o de sempre: Diego querendo me arrastar para o quarto só para me comer, rápido e bruto, do jeito que ele gostava de me lembrar que eu era dele.
Mas quando a porta do quarto dele se abriu e eu entrei, parei na entrada.
Dei de cara com o Adriano, o melhor amigo dele.
Largado na cama como se fosse o dono da porra do lugar. Só de short, sem camisa, exibindo aquele abdômen trincado, as pernas abertas em posição relaxada, com aquela marra típica de homem que sabe que é gostoso. Ele era loiro, cabelo cortado baixinho nas laterais e o topo num bagunçado proposital, daquele estilo que parece que acordou assim. Era só jogar a mão de leve, dar uma ajeitadinha rápida e pronto, já estava no estilo.
Ele era lindo, claro. Gato demais. E já tinha passado pela minha cabeça, mais de uma vez, ficar com ele só para provocar ciúmes no Diego. Só para ver a cara dele. Mas era só isso. Uma ideia maluca. Até porque ele era o ex-namorado da Carol. O cara que tinha tirado a virgindade dela.
E agora ele estava ali, na minha frente, me olhando de um jeito que me despia devagar, peça por peça, sem pressa. O olhar dele era calmo, predatório, como se já tivesse imaginado mil vezes o que faria comigo.
Ele soltou um “oi” com um sorrisinho sacana, daqueles que dizem mais do que qualquer frase.
— Oi, tudo bom? — respondi quase no automático, tentando disfarçar o susto de dar de cara com ele ali, largado na cama do Diego.
Mas a real é que o susto não foi por ver o Adriano na casa dos meus primos, isso era a coisa mais normal do mundo. Ele e o Diego eram praticamente grudados desde moleques — tipo irmãos mesmo —, viviam sempre juntos.
O que me pegou foi outra coisa. Eu esperava que o Diego estivesse sozinho. Achei que ele só quisesse me comer e pronto. Mas não. Tinha o melhor amigo ali, me encarando como se eu fosse um lanche que ele estava esperando há horas.
Diego já foi se sentando na beirada da cama e, com um puxão firme no meu pulso, me colocou sentada no colo dele, com as pernas completamente abertas.
Eu senti na hora o pau dele já semi-duro roçando na curva da minha bunda por cima do short colado. Meu corpo reagiu com um arrepio que subiu pela espinha, os mamilos endureceram contra o tecido leve, e entre as coxas o calor se concentrou de um jeito insistente.
— Estávamos aqui falando de você, Rafa. Sentiu a orelha esquentar? — disse o Diego, entre risos baixos, a voz vibrando contra minha nuca.
Minha sobrancelha arqueou na hora.
— Falando de mim? Como assim?
Ele deu aquela risadinha sacana, a mão já deslizando devagar pela minha coxa, dedos traçando a borda do short.
— Ué… eu tava contando pro Adriano o quanto tu é safadinha na cama… né, Rafa?
As palavras caíram pesadas no ar. Senti o rosto queimar, mas não era só vergonha. Era tesão misturado com um frio na barriga que eu conhecia bem: o medo de que aquilo fosse longe demais de novo, de que eu não conseguisse parar, de que o Diego estivesse testando até onde eu iria para provar que era dele.