Depois do nosso primeiro beijo, minha prima Carol não me dava um segundo de paz. Vivia me cutucando, insistindo para eu “experimentar coisas novas” e dizendo que eu precisava sair com outros caras para ver se tirava o irmão dela da cabeça. Como se fosse simples assim, tipo apertar um botão e pronto: desapaixonei.
— Por que você não fica com o Felipe? Ele tá na sua. E, convenhamos, ele é gato demais, né?
Eu resisti o quanto pude, mas tive que reconhecer. Felipe era o garoto mais lindo e popular da escola. Cabelos castanho-claros e aqueles olhos verdes esmeralda que roubavam minha atenção de um jeito absurdo. Sempre fui atraída por olhares intensos, e o dele tinha um brilho especial, quase hipnotizante. Todas as garotas eram loucas por ele.
Felipe era irmão da Júlia, minha melhor amiga, e estudava no terceiro ano, na mesma sala da minha irmã. A gente se cruzava o tempo todo, porque eu frequentava bastante a casa dele. Quando não estava na casa da Carol, lá estava eu, largada na cama da Júlia, principalmente nos dias da aula de ballet. A gente aproveitava pra estudar e colocar as fofocas em dia.
Eu sabia muito bem que ele era a fim de ficar comigo. Já tinha me chamado pra sair algumas vezes, mas eu sempre recusava. Naquela fase, minha cabeça e meu coração só queriam saber do Diego.
Porém, ele tinha fama de galinha, e isso me incomodava pra caralho. Eu não queria ser só mais uma na lista das meninas que ele pegou, nem virar assunto na rodinha de fofoca dos amigos dele. Mas, de tanto a Carol martelar na minha cabeça, comecei a me perguntar se, mesmo assim, valia a pena pelo menos experimentar.
Sexta-feira, 27 de março de 2015
Oi, Diário!
Hoje eu tô na casa da Júlia.
Depois da Carol, a Júlia é minha melhor amiga desde a infância. Quando minha mãe me colocou no Ballet, aos 8 anos, a Júlia se empolgou e quis entrar também. Foi a melhor coisa, porque ter ela comigo nas aulas sempre deixou tudo mais divertido. Rimos, fofocamos, e ao mesmo tempo nos ajudamos nas partes mais difíceis. Amo o Ballet, mas é puxado demais! Tem dia que eu chego tão acabada que mal consigo tirar a sapatilha. Hoje foi um desses dias. Eu tô destruída, tipo nível “morta com farofa”.
Amanhã vai rolar uma resenha aqui. O Felipe me convidou... quer dizer, ele sempre me convida. Mas é que dessa vez eu aceitei participar. E, sério, já tô naquele misto de animação e nervosinho. Essas festas sempre juntam a galera do terceiro ano, mas também brota gente de tudo quanto é canto. Todo mundo leva bebida e dizem que o álcool rola solto.
Felipe e Júlia moram com o pai, que é super de boa, bem liberal. Ele não se importa se o filho promove festas com som no talo e álcool liberado para menores de idade, desde que a filha não participe. Mas Júlia detesta essas festas do irmão. Vive dizendo que tem vontade de sumir nesses dias, porque a casa vira um caos: gritaria, gente por todo lado e o funk proibidão sacudindo até o quarto dela.
Tive que abrir o jogo pra minha irmã Isabella. Ela ia acabar sabendo de qualquer jeito, então preferi que fosse por mim. Claro que não curtiu. A Isabella é superprotetora, às vezes parece até minha mãe. Tive que fazer quase um pacto pra ela não abrir a boca pros nossos pais. Ela é toda certinha: até bebe, mas jura que é só socialmente. Mas nunca vai nessas resenhas da turma. Prefere mil vezes sair com o namorado.
Para os meus pais, apenas perguntei se podia dormir na casa da Júlia. Eles disseram que sim e pronto… missão concluída.
Sábado, 28 de março de 2015
9h
Acordei com o despertador irritante da Júlia. Ela logo se levantou pro banho, enquanto eu, óbvio, me enrolei mais um pouco debaixo das cobertas. Só fui levantar quando ela finalmente desocupou o banheiro.
Depois, sentamos juntas pra tomar café e planejamos curtir a parte da manhã na piscina, torrando no sol até a hora da festa.
Minha prima Carol tinha colocado a maior pilha para eu usar o biquíni vermelho de lacinho, na clara intenção de chamar a atenção dos meninos. Mas acabei preferindo levar o rosa-claro, do mesmo modelo, também de lacinho. Até porque, quase tudo que eu usava na escola era rosa. Era tipo minha marca registrada.
Assim como o biquíni vermelho, esse rosa também tinha a tanga cavada. Não chegava a ser um fio dental escancarado, mas também não era comportado. Era um corte que deixava parte do bumbum à mostra, tipo cavado mesmo. Só o suficiente pra provocar. A Júlia tinha comentado que a maioria das meninas que iam nessas festas apareciam de biquíni fio dental, então me senti até confortável com a minha escolha.
9h40
Fui pra piscina com a Júlia e ficamos boa parte do tempo dentro da água, brincando, jogando conversa fora e se esparramando no sol, bem descontraídas, até a hora do almoço. De vez em quando o Felipe dava as caras, sempre com um copo na mão oferecendo bebida, mas dava pra ver que ele tava na correria dos preparativos da festa.