Depois do papo com o Rodrigo, corri pra casa da Carol. Eu precisava contar tudo: o papo, as perguntas safadas e, principalmente, o pedido ousado de ir ao cinema sem calcinha. Assim que terminei de falar, ela arregalou os olhos e soltou:
— O quê??? Para tudoooooo! Meu Deus, que garoto safado!
Carol levou a mão à boca e caiu na gargalhada, quase sem acreditar, e continuou.
— E você topou? Sua louca… tô chocada!
Eu ri junto, sentindo o rosto queimar de vergonha.
— Topei… sei lá, ele é gatinho e pareceu bem legal.
Carol me olhou com um sorrisinho malicioso.
— Você tá ficando bem safadinha, hein?
Ela quis saber se eu ia sozinha com ele ou se preferia que ela fosse junto. Respondi na hora que me sentiria muito mais tranquila se ela fosse com o Murilo, saindo os quatro de casalzinho, já que os dois eram amigos. Isso ia ser perfeito.
— Deixa eu falar com o Murilo então — disse ela, já pegando o celular.
Enquanto isso, ficamos as duas curiosas fuçando na internet quais filmes estavam em cartaz em Petrópolis. Descobrimos que estava passando Velozes e Furiosos 7.
Ter a Carol do meu lado deixaria tudo menos assustador… e bem mais divertido. No fundo, eu sabia que com ela por perto eu teria coragem de fazer qualquer loucura.
Sexta-feira, 3 de abril de 2015
14h10
Terminei de almoçar com meus pais e fui me arrumar. Tinha falado a eles que ia ao cinema com a Carol.
Escolhi um look todo preto: minissaia preta curtinha, cropped de manga longa e botinha de cano curto. Eu era uma patricinha metida a roqueira, influenciada pela Avril Lavigne; adorava rosa, mas também usava bastante preto.
Havia um detalhe ousado no look: eu estava sem calcinha. A saia era curta o suficiente pra me deixar tensa a cada movimento. Só de andar pelo quarto já sentia o ar frio roçando minha pele exposta. Fui me olhar no espelho, e bateu um nervoso misturado com excitação. Era a primeira vez que eu saía sem calcinha e me senti um pouco molhada.
Cheguei na casa da Carol ainda com aquele frio na barriga.
— E aí, prima, gostou do look? — perguntei, girando de leve. — Será que dá pra perceber que eu tô sem calcinha?
Ela me olhou de cima a baixo, devagar, com aquele sorrisinho safado. Depois balançou a cabeça.
— Relaxa, nem dá pra perceber. — Mas logo em seguida, com um ar malicioso, tirou a própria calcinha ali na minha frente e jogou em cima da cama. — Mas já que você vai assim… eu também vou.
Carol estava linda e perfeita, como sempre: minissaia jeans, blusinha branca justa e jaqueta jeans por cima.
Ela tinha pedido pro Diego nos levar de carro justamente pra ele me ver arrumada. E o plano funcionou melhor do que eu esperava.
Eu estava descendo a escada quando ele me viu. Diego parou no meio do caminho, os olhos percorreram meu corpo devagar, e ele soltou até um assovio: "fiu fiu"!
— Caralho, Rafa… você tá linda! Vestida pra matar hoje, hein?
Senti meu rosto queimar na hora. Eu toda sem jeito, com o coração maretando forte no peito.
— Obrigada, Diego.
Entramos na Hilux dele e eu fui direto pro banco de trás. Carol se jogou no banco da frente, toda animada. Mal o carro começou a andar e ela já soltou, como quem não quer nada:
— A Rafa te contou que ela tá namorando, Diego?
Meu primo pareceu surpreso, olhando para trás.
— Namorando? Como assim?
— A Rafa tá namorando o amigo do Murilo! Vamos ao cinema de casalzinho hoje nós quatro… não é fofo?? — disse ela, toda sorridente.
Eu fiquei quietinha no banco de trás, sentindo o rosto esquentar de novo. Diego deu uma risada e brincou, me olhando pelo retrovisor:
— Sabe que esse cara vai ter que passar pela minha aprovação, né?
Enquanto ele dirigia, eu sentia seu olhar me espiando pelo retrovisor de vez em quando. Estava sentada com as pernas ligeiramente entreabertas, e o ar fresco subia pela minissaia curta. "Será que ele tinha percebido que eu estava sem calcinha?", pensei. Só de imaginar isso meu coração acelerava e meu rosto queimava de vergonha.
Claro que não tinha como ele saber — a não ser que tivesse visto algo quando eu estava descendo as escadas. Tentei não pensar nisso e fiquei puxando assunto com a Carol, rindo das besteiras que ela falava. Mas, no meio da conversa, meus olhos sempre acabavam voltando pro Diego. Era impossível negar: o que eu queria de verdade era estar indo ao cinema com ele, e não pra encontrar outro garoto.
Finalmente, chegamos ao shopping Bauhaus, no centro de Petrópolis, e Diego parou o carro. O friozinho de estar sem calcinha, somado à expectativa de ver o Rodrigo que estava esperando a gente com o Murilo do lado, deixou meu coração disparado.
Assim que saímos do carro. Carol me puxou pela mão e tratou logo de me apresentar ao Rodrigo.
Ele sorriu e veio me dar um beijo no rosto.
— Você é ainda mais linda pessoalmente…
Senti o rosto queimando. Ele era realmente bonito, com olhos castanhos expressivos e cabelos curtos, castanhos, meio bagunçadinhos. Mas o que mais me chamou atenção foi o jeito como ele sorriu pra mim, com aqueles dentes brancos perfeitos. Ele tinha um jeito simpático e ao mesmo tempo safado. Era um pouco mais alto que eu, mas com a botinha de salto acabei ficando até mais alta. O visual dele era simples e bem casual: calça jeans, camiseta preta e tênis. O detalhe é que o preto nem tinha sido combinado.
Fomos até a praça de alimentação porque os meninos estavam morrendo de fome. Eles pediram um lanche completo com hambúrguer, fritas e refrigerante, enquanto eu e a Carol só pegamos um sorvete. Ficamos ali num papo descontraído, rindo e falando besteira. Foi legal porque deu logo pra quebrar o gelo.
O Rodrigo era realmente divertido, com um jeito de falar leve e espontâneo que fazia todo mundo rir sem parecer forçado. De vez em quando ele passava a mão no cabelo, bagunçando ainda mais o que já era naturalmente bagunçado. Ele conseguia ficar ainda mais charmoso assim.