Capítulo 1

Ele é minha droga favorita

Domingo, 10 de maio de 2015

Acordei chorando. Quase não consegui dormir. As palavras do Diego ficaram martelando na cabeça a noite inteira.

Diário, Tô me sentindo a maior burra do mundo, sério.

E a Carol tem razão. Como sempre, né?

O Diego só me usa e eu me odeio por isso. Fico horas tentando entender por que ele faz isso comigo, como se existisse uma resposta que fosse me deixar em paz. Eu só queria ser a namorada dele. Eu daria tudo, tudo mesmo, só pra ser a menina que ele ama.

É pedir muito, diário? É pedir muito querer ser amada de volta?

Droga, o pior é que eu ainda sonho com ele. Todo santo dia. Sonho que a gente caminha descalço na areia da praia de Geribá, de mãos dadas. A gente ri de besteira, ele me olha de um jeito tão carinhoso, como se eu fosse a única. E aí ele me puxa pra perto, me beija devagar, sem pressa nenhuma, sem me fazer ficar de joelhos e chupar. Só me beija, como se eu fosse a namorada dele de verdade, e não a prima que ele come escondido.

Aí eu acordo. 

E ele continua sendo o Diego. O mesmo de sempre. Bad boy, ogro, bruto, mandão, arrogante e cafajeste até o último fio de cabelo.

Eu odeio esse jeito dele de querer mandar em tudo. Odeio como ele sempre acha que tá no controle, odeio a arrogância, odeio o sorrisinho de quem sabe que vai me foder a hora que quiser, odeio o tanto que me faz chorar. Mas o pior de tudo é que eu odeio não conseguir odiá-lo. Nem um pouco, nem mesmo por um segundo.

Ele é como esperma: doce nas papilas, mas amargo no final. E, mesmo com esse gosto amargo escorrendo na minha garganta, eu volto, sempre volto. Porque ele é a minha droga favorita. E eu sou viciada nele.

15h20

Estava na piscina de casa, deitada na espreguiçadeira, pegando um pouco de sol e ouvindo música com fone de ouvido.

Senti o celular vibrando. Era mensagem do Diego.

— Oii minha putinha. Vem aqui, tô louco pra te chupar todinha.

Putz, eu queria ignorar, mas a buceta latejou na hora, traidora, como se o corpo tivesse esquecido de tudo que ele falou ontem. Fiquei olhando a tela uns segundos, o coração batendo rápido.

Comecei a digitar, apaguei... digitei de novo. Mandei só:

— Oi, Diego.. agora não.

Ele respondeu quase de imediato, mas nem visualizei, ignorando mesmo.

Alguns minutos depois o celular tocou. Era ele ligando. Atendi só no terceiro toque, já com a voz meio seca.

— Oi, Diego, tô na piscina, cara. Tentando relaxar e tu tá aí me perturbando... tem nada pra fazer não?? É domingo, né? Vai ao cinema com a namoradinha.

Do outro lado ele ficou em silêncio por um segundo. Depois a voz saiu baixa, irritada e no controle:

— Rafa, para com essa palhaçada e vem logo. Agora, caralho. Não vou falar de novo.

Eu ainda tentei segurar. Queria continuar naquela postura de gelo. Mas o jeito que ele falou… aquele tom que não aceita discussão… me fez tremer por dentro. A raiva de ontem ainda estava lá, o “zero romance” ainda doía, mas o corpo já estava cedendo.

Fiquei mais uns minutos parada na espreguiçadeira, o coração batendo forte, a buceta latejando sem eu conseguir controlar. No fim eu me levantei, peguei a toalha, só vesti um short e fui até a casa dele.

Odiava o quanto era fácil pra ele me fazer obedecer.

Fui xingando a mim mesma a cada passo. "Você é idiota, Rafaella. Idiota pra caralho." Mas os pés continuaram andando, como se tivessem vida própria, surdos pra tudo que minha cabeça gritava. Quando cheguei na porta do quarto dele, respirei fundo uma última vez e entrei, pronta para qualquer coisa.

O pior é que sabe ser carinhoso, gentil e atencioso... mas só quando quer. De um jeito que me desmonta por dentro. Nessas horas ele me ganha fácil. Basta um carinho no meu rosto, um beijo quente na minha nuca, um "vem cá" sussurrado no meu ouvido... e pronto, me desarma inteira. Toda a raiva que eu tinha guardado a manhã inteira derrete em segundos.

Porque o normal entre a gente era ele me jogar de joelhos e mandar, sem rodeio: “Chupa.” Como se meu corpo existisse só pra isso. Como se eu fosse só um objeto, um brinquedo sempre pronto pra fazer ele gozar. Mas dessa vez foi diferente.

Quando abri a porta, ele veio até mim. Em vez de puxar ou xingar, passou o polegar no meu rosto bem devagar e beijou a nuca. Baixo, quente. Eu quase fechei os olhos na hora. Senti o cheiro do perfume dele, o calor do corpo tão perto do meu. Toda a postura de gelo que eu tinha ensaiado sumiu em segundos.

Ele me deu um sorriso e me pegou de um jeito brincalhão, me jogando na cama. Estava leve. Ficamos um bom tempo só nos beijando, curtindo um ao outro como se fôssemos namorados de verdade. Eu fiquei mole e completamente entregue.

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