Capítulo 0

Sentindo tudo desabar

Sábado, 09 de maio de 2015

Saí do quarto do Diego e perdi até o rumo, me sentindo desnorteada, como se estivesse vazia por dentro, sem conseguir sentir nada direito. Minha sorte é que o quarto da Carol era logo ali na frente.

Entrei, fechei a porta e caí na cama. E aí parece que todo o universo desabou em cima de mim. O choro veio brutal, eu chorava tanto que chegava a soluçar, sem conseguir parar.

Eu tinha feito tudo errado. Tinha me entregado inteira, de corpo e alma, e ainda assim não foi o suficiente. Fiquei ali remoendo cada palavra que ele tinha dito, tentando entender onde eu tinha errado, como se tivesse um jeito certo de fazer ele me amar de volta. "Você é minha prima." Como se isso apagasse tudo que a gente tinha acabado de fazer. Como se o problema fosse eu querer demais.

Eu sabia que devia ter ficado com raiva. Devia ter sentido nojo de mim mesma, de ter implorado daquele jeito, pedinte, com o cu ainda latejando e o coração se espatifando ao mesmo tempo. Mas o que eu sentia era só um vazio enorme, tipo um buraco que eu mesma cavei e agora não sabia como sair.

E eu sei, diário, eu deveria ter dado um chute na bunda dele. Seria lindo se eu tivesse coragem de olhar nos olhos dele e falar: "Então beleza. Também não quero ser teu brinquedo." Só que, caralho, eu amo aquele idiota.

Carol se sentou do meu lado sem falar nada no começo. Só ficou passando a mão nas minhas costas enquanto eu engasgava de tanto chorar. Quando finalmente consegui falar, contei tudo. O "eu te amo", a resposta fria dele, a decepção… tudo.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Depois falou, a voz baixa, mas sem nenhuma doçura:

— Esquece o Diego, Rafa. Sério. Ele é meu irmão, mas é um babaca. Ele não sente nada por ninguém. Ele só quer te comer.

Doeu, doeu pra caralho.

Pior que eu já sabia, mas ouvir a Carol falar daquele jeito, tão direta, foi como tomar um tapa na cara.

— Eu sei que ele é assim — falei, a voz saindo embargada. — . Mas sabe o pior, Carol? Mesmo sabendo, eu ainda ia lá de novo se ele me chamasse agora.

Ela suspirou, um suspiro cansado, do tipo que parecia guardar anos de aturar o irmão.

— É, eu sei que você iria — disse, sem julgamento na voz, só constatação. — por isso que eu tô preocupada.

Fiquei calada, encarando o teto. As lágrimas tinham parado, mas o vazio continuava lá, morando dentro de mim, como se tivesse vindo pra ficar de vez.

— Ele falou que era só putaria — murmurei, mais pra mim mesma do que pra ela ouvir. — Zero romance. Do jeito dele ou nada…

Carol ficou quieta por um instante, aí deitou do meu lado, olhando pro mesmo teto que eu.

— E o que você vai fazer?

Eu não respondi na hora. Na verdade, eu até já sabia a resposta, mas tinha vergonha demais de dizer em voz alta.

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