Capítulo 0

Desejo proibido no pub

Quarta-feira, 03 de janeiro de 2024

Estava passando o final de ano em Londres, na casa da minha avó materna.

Mal tinha chegado e meu primo Diego já estava me perturbando do Brasil, me bombardeando de mensagens. O safado sempre fica curioso querendo saber das minhas putarias:

“E aí, vadia, já aprontou alguma por aí? Pegou algum negão daqueles que você adora?”.

Eu ri sozinha no quarto. Nem do outro lado do mundo ele perdia o interesse. O Diego conhece cada canto podre dos meus desejos e sabia exatamente o tipo de “turismo” que eu curtia: eu queria um negão de verdade. Africano legítimo, bem dotado e bruto.

Tinha caçado bastante já. Usei até o Tinder, mas nenhum perfil conseguiu chamar minha atenção. Nenhum que fizesse minha buceta pulsar de verdade.

Sexta-feira, 05 de janeiro de 2024

Saí com minha prima Carol para o centro de Londres. Estava um frio do caralho. O vento cortante misturado com chuva fina encharcava tudo, parecendo vir de baixo pra cima. Andávamos encolhidas dentro dos casacos, correndo atrás de um pub pra beber e nos proteger daquela chuva.

Entramos num que pub parecia bem animado. Assim que abri a porta, um bafo quente de cerveja, madeira molhada e corpo de homem invadiu meu rosto. Caralho, que delícia. Depois daquele frio desgraçado lá fora, o calor do lugar abraçou meu corpo inteiro como uma boca quente.

Dentro estava lotado. Um monte de caras grandões, muitos deles bem altos e fortes, todos vidrados no telão enorme onde passava um jogo de rugby. Quase ninguém percebeu quando eu e a Carol entramos. Duas mulheres sozinhas, bonitas, molhadas da chuva no meio de tanta testosterona... e os filhos da puta mal tiraram os olhos da tela.

Meus olhos percorreram o salão devagar, analisando um por um. Até que parei numa mesa mais ao fundo. Dois homens pretos. Um deles era lindo pra caralho: bem alto, parecia jogador de basquete, ombros largos e uma presença que realmente chamava atenção.

A xota até pulsou. Senti um calor subir rápido pelo corpo, imaginando aquelas mãos grandes me segurando firme enquanto ele me fodia sem piedade.

Carol percebeu meu olhar e cutucou meu braço, rindo baixinho.

— Conheço esse olhar… tá caçando, né sua vadia?

Eu só sorri. Não precisava nem responder.

Os dois repararam que estávamos olhando. O mais alto sorriu pra mim com dentes brancos perfeitos e, depois de um tempo, se levantou e veio na nossa direção. De perto ele era ainda mais imponente. Cheiro bom, voz grave e um jeito tranquilo que me deixou ainda mais molhada.

Ele se apresentou como Lameck e logo chamou o amigo, que se apresentou como Mbadiwe. Eram naturais de Zâmbia. Achei estranha a pronúncia e já comecei a chamar o cara de Mbappé. Ele riu e achou engraçado.

Passamos a conversar ali no balcão. Eles eram bastante simpáticos. Lameck disse que não curtia muito rugby, só estava ali pra beber mesmo. Quando contamos que éramos brasileiras, o papo fluiu ainda mais. Ele começou a falar empolgado sobre Pelé, Neymar e os brasileiros que jogavam no Arsenal.

Quando ele mencionou “Arsenal”, eu soltei um sonoro “NOOOOOOO”. Contei que sou torcedora do Manchester United e que todos os meus tios e primos de Londres são fanáticos pelo Arsenal. A rivalidade em casa sempre foi enorme. Ele caiu na risada e disse que odiava os times de Manchester.

Todo mundo riu junto. O clima ficou ainda mais leve e descontraído. Lameck não tirava os olhos de mim, e eu também não escondia o interesse. Depois de algumas bebidas e muita risada, chamei Carol pro banheiro. Precisava saber se ela estava confortável e disposta a encarar aquela aventura comigo.

Descemos as escadas estreitas de madeira que rangiam a cada passo. O banheiro feminino do pub era pequeno, com azulejos vitorianos brancos e verdes um pouco gastos pelo tempo, piso de mosaico bem antigo, e uma luz baixa, amarelada que deixava tudo com um ar meio clandestino, quase proibido.

Havia só três cubículos. Entrei no do meio, fechei a porta de madeira e encostei as costas na parede fria. O espaço era tão pequeno que nossos corpos quase se tocavam. Olhei pra Carol nos olhos, o coração batendo forte de ansiedade e tesão.

— E aí, vai encarar? — perguntei, mordendo o lábio inferior, a voz já rouca.

Carol me encarou, aquele sorriso de quem me conhece melhor que ninguém. Ela encostou a testa na minha por um segundo, rindo baixinho.

— Caralho, Rafa… você é foda hein. Não consegue controlar o fogo dessa tua buceta nem por um minuto, né? Acabamos de conhecer os caras, sua maluca.

Eu ri, passando os dedos pela cintura dela, puxando levemente o corpo dela contra o meu. O cheiro de cerveja, perfume e aquele leve aroma úmido de banheiro antigo misturava tudo de um jeito que só me deixava mais molhada.

— Tu achou eles feios? — quis saber, curiosa, roçando o nariz no pescoço dela.

— É… o amigo do Lameck é feio sim, mas é estiloso — respondeu ela, rindo de lado. — Já você tá toda derretida pelo Lameck, né?

Eu sorri, sem negar nada. Minhas mãos subiram pelas costas dela, apertando de leve.

— Eu quero os dois, Carol. Mas você não precisa fazer nada pra me agradar. Se não estiver a fim, tudo bem.

Carol ficou me olhando por uns segundos, mordendo o canto do lábio. Ela sempre pensa mais que eu.

— Rafa, a gente mal conhece esses caras… — falou mais baixo, quase sussurrando. — São dois negões enormes, a gente tá em outro país, sem ninguém sabendo onde a gente tá… é um risco fodido, né?

Eu sorri e segurei o rosto dela com as duas mãos.

— Eu sei, amor. Mas o Lameck é gostoso pra caralho. Eu tô pingando só de imaginar. Mas se você não quiser, de boa, a gente vai embora... eu pego o contato deles e marco outro dia.

Ela respirou fundo, encostou a cabeça na parede e ficou me encarando. Vi o exato momento em que o desejo venceu o medo.

— Porra, Rafa… você me leva sempre pra essas loucuras — disse, rindo nervosa. — Tá bom. Eu topo.

A gente riu baixinho, selando o acordo com um beijo molhado e demorado ali mesmo, no banheiro apertado do pub. Quando saímos, meu coração batia descompassado e minha calcinha já estava encharcada.

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