O que eu tenho é muito mais do que um desejo. Não é só vontade de foder, isso qualquer mulher pode ter. O que eu sinto é uma fome, um fogo que me consome por dentro e não aceita espera. O corpo queima, a buceta lateja, o clitóris fica tão duro que chega a doer, e se eu tento segurar a dor só aumenta até eu não aguentar mais. Às vezes o prazer é tão grande que eu quase desmaio. Outras vezes parece que vai me destruir se eu não aliviar. E mesmo depois de gozar o fogo continua ali, só um pouco mais baixo, já pedindo de novo.
Desde menina eu já sentia que era diferente. Enquanto as amigas da escola ainda brincavam de coisas inocentes, eu já curtia subir em cima do meu ursinho de pelúcia e me esfregar nele com força até o corpo inteiro tremer e relaxar.
Uma cena que me marcou foi aos dez anos, quando minha avó me pegou no maior flagra enquanto eu me esfregava no braço do sofá da sala. Na hora eu congelei, morri de vergonha e saí correndo pro meu quarto. Depois ela veio, sentou na beira da cama e só disse pra eu não fazer aquilo onde todo mundo podia ver, sem explicar o que era ou dizer se era normal ou errado. Então continuei fazendo, claro, só que passei a ser muito mais cuidadosa, trancando a porta e fazendo daquilo um momento só meu, que eu acabava não contando pra ninguém.
Quando a adolescência chegou e os hormônios explodiram, tudo só piorou. O fogo que já me consumia ficou ainda mais forte e eu não sabia direito como lidar com ele. Bastava um pensamento qualquer, qualquer fagulha, e o corpo acendia inteiro. As coxas se apertavam sozinhas, a buceta ficava logo molhada, o clitóris doía de tão inchado. A buceta parecia ter vida própria, pulsando, sempre faminta, sempre pedindo mais. Não adiantava tentar distrair, estudar ou correr. Ela só sossegava quando rolava sexo, e sexo de verdade.
Foi nessa época que comecei a escrever diários. Escrevia tudo sem filtro: o que eu sentia, as coisas que eu fazia escondida, o que me deixava molhada e o que me assustava, como se escrevendo eu conseguisse entender um pouco melhor e pelo menos tentar controlar todo aquele fogo que não me largava.
Hoje tenho um casamento aberto com duas pessoas e isso ainda não basta. Acabo tendo múltiplos parceiros. Continuo como garota de programa. Pra mim, a coisa mais simples do mundo é levantar da cama de um cliente com a libido no auge, o corpo quente, a buceta latejando, e ficar animada porque ainda vou ter outro logo em seguida.
Isso não atua em mim como um superpoder sexual. É um transtorno.
Por vezes me empurrou pra estados insanos de perdição. Eu fazia coisas e depois corria pra casa me sentindo suja, envergonhada, culpada. Ligava o chuveiro no mais quente que o corpo aguentava e deixava a água escorrer como se pudesse levar embora tudo o que tinha acontecido, como se fosse capaz de me limpar por dentro também. Tive arrependimentos. Passei por riscos desnecessários. Tudo por causa de uma compulsão que não pedia licença e não aceitava “não”.
Hoje eu me entendo com a minha buceta, essa minha pequena besta. A gente conversa. Eu dou a ela o que comer e ela me devolve um pouco de paz e prazer. O que eu ainda não consigo responder é se eu gostaria de ser diferente. Honestamente, acho que não. Eu me acho uma mulher foda do jeito que eu sou. Gosto do meu apetite. Gosto quando me admiram por isso. E gosto ainda mais quando olho ao redor e vejo um bando de homens cansados de tanto me foder… e eu ainda querendo mais um pouco.
Então não diga que você tem ninfomania. Não antes de estar num cubículo com um cara na porta controlando a fila, e você lá dentro, ofegante, gritando:
— Próximooooo! A puta quer mais, caralhoooo!!!!