Estou apaixonada. Namorando um cara mais novo. Dá pra acreditar nisso?
Depois de anos sem me entregar de verdade, sem me envolver, voltei a me apaixonar. Exceto pela minha prima e pelo meu primo, eu não me apego. Amo sexo casual. Raramente transo duas vezes com o mesmo cara. Mas aí apareceu ele… e de repente eu estava repetindo, me envolvendo, querendo mais. Muito mais.
No começo, fugi de rótulos. Queria deixar rolar, sem nome, sem cobrança. Só curtir. Até que, numa noite, depois de uma transa daquelas que deixam o corpo mole e a alma acesa, com a respiração ainda entrecortada e a pele ardendo, ele me encarou bem fundo nos olhos e soltou:
— Rafa, você já me disse que não se envolve. Mas essa conexão… eu nunca senti nada igual com ninguém. Será que posso chamar isso de namoro?
Aquilo me pegou. Porque a conexão existia mesmo. Desde o primeiro olhar trocado, parecia que a gente já se conhecia de outras vidas. Não era só tesão, não era só química. Era algo maior, que nem sei explicar.
Com o coração ainda disparado, encarei aquele rosto lindo, os olhos dele brilhando de expectativa. Mordi o lábio, procurei as palavras certas para não magoar, para não iludir.
— Poxa, gato… sabe que não curto rótulo — respondi, enquanto meus dedos deslizavam devagar pelo peito dele. — Vamos deixar rolar? Além do mais, você ainda não sabe nada sobre mim.
Ele franziu a testa, curioso. Foi quando decidi abrir o jogo.
— Lucas, eu não ia te contar porque, sei lá… Achei que você era só um lance. Mas preciso ser honesta. Nem sei direito como falar isso… Eu sou viciada em sexo. Gosto de ter vários parceiros. Talvez eu não seja a garota que você imagina para um namoro de verdade. Eu sou do “job”, sabe? Garota de programa. Prostituta. Pode chamar como quiser.
Fiquei esperando o julgamento no olhar, a distância que costuma vir depois. Mas ele só respirou fundo, me olhou com uma calma desconcertante e abriu um sorriso.
— Confesso que fiquei um pouco chocado… Você não tem cara de garota de programa. Mas, de verdade, isso não muda nada pra mim. Nada mesmo. Você é incrível. Linda pra caralho, perfeita. E por dentro… por dentro você é ainda mais.
Fiquei sem reação, só olhando para ele. Sem precisar de mais palavras, nos aproximamos. O beijo veio lento, profundo, carregado de tudo o que as palavras não conseguiam traduzir.
Achei que, depois daquela conversa, ele fosse mudar. Que começasse a me olhar diferente, a cobrar, a tentar me “consertar”. Mas não. Ele continuou exatamente o mesmo. Mente aberta, zero preconceito, me aceitando inteira, do jeito que sou. Ele me respeita, me trata com carinho, me chama de princesa. E eu chamo ele de “princeso”, porque foi exatamente assim que ele entrou na minha vida: um príncipe improvável, sem capa de herói, sem promessa de conto de fadas. Ele não quer me salvar. Só quer a mim, como eu sou.
Fomos nos conhecer no final de outubro de 2024. Ele tem 19 anos e mora na Barra da Tijuca. Tudo começou num bar na Olegário Maciel. Eu estava com a Carol, minha prima; ele, com uns amigos. Nossos olhares se cruzaram e… pronto. Não tinha explicação. Ele não tirava os olhos de mim. Senti um frio na barriga que fazia tempo não sentia.
Depois saímos dali e fomos parar num quiosque na praia. Queríamos esticar a noite, tomar mais uns drinks, mas, acima de tudo, conversar. E foi ali que tudo começou.
E foi isso. A minha vida anda meio bagunçada ultimamente. Preciso conciliar esse namoro novo com o que já tenho com a Carol, os clientes e tudo mais que costumo aprontar.
Beijos molhados da sua
Princesinha Devassa 👑💖